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Isabel dos Santos nega estar em fuga e diz que o MPLA "tornou-se um partido corrupto"

Empresária e filha do ex-presidente de Angola quebra silêncio em declarações à TV alemã.
Correio da Manhã 25 de Novembro de 2022 às 18:18
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Isabel dos Santos: “O meu país não tem Justiça”

"O MPLA tornou-se um partido corrupto". Desta forma inequívoca, a empresária angolana Isabel dos Santos quebrou o silêncio após a revelação de que a Interpol teria emitido um mandado de captura internacional para a detenção daquela que um dia a revista Forbes classificou como a mulher mais rica de África.

Em declarações exclusivas à cadeia alemã de rádio e televisão Deutsche Welle a filha do antigo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a empresária acusou o partido no poder em Luanda de ser "desrespeitador das leis". Para Isabel dos Santos, "enquanto tivermos esse partido no poder, não haverá investimento em Angola."

Numa longa entrevista concedida ao serviço África da "Voz da Alemanha", Isabel dos Santos nega ainda estar em fuga à justiça: "Eu sempre estive disponível para falar com as autoridades. Os meus advogados ligam constantemente para a Procuradoria-Geral da República [de Angola]. Nós temos mandado cartas para o tribunal. Tenho pedido para ser notificada e não fui notificada sequer", refere.

Críticas a Portugal

A empresária que outrora deteve várias posições em empresas nacionais também não poupa a justiça portuguesa. "Eu tenho cartas escritas ao Procurador-Geral da República em Portugal. Tenho notificações escritas e enviadas aos tribunais em Luanda. Tenho os meus advogados constituídos. Eu não me escondo. Eu estou nas redes sociais todos os dias.

Eu converso com as pessoas. Eu não tenho um paradeiro desconhecido. A minha morada é conhecida", diz Isabel dos Santos para quem "nos inquéritos que houve em Portugal, eu sempre estive lá, participei sempre. Portanto, não tenho problemas nenhuns em esclarecer, mas o que eu desconfio é que a PGR não quer que eu fale."

Nega intervenção de António Costa

Isabel dos Santos, que já admitiu processar o antigo governador do Banco de Portugal, que em livro revela alega intervenção do primeiro-ministro António Costa a favor da empresária angolana, é perentória: "O Estado português nunca teve intervenção a meu favor nos meus investimentos", disse embora admita ter reunido "duas vezes" com Carlos Costa a propósito dos investimentos feitos na banca.

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