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Isabel dos Santos usa diamantes angolanos para pagar advogados

Autoridades portuguesas e angolanas retiveram as contas bancárias, casas e participações em empresas à filha do ex Presidente angolano.
Correio da Manhã 9 de Dezembro de 2022 às 09:52
Isabel dos Santos
Isabel dos Santos
Desde que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJ) começou a divulgar a investigação Luanda Leaks, no início de 2020, que a filha do ex Presidente angolano José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, tem recorrido aos melhores escritórios de advogados - e consequentemente os mais caros - localizados em vários países europeus onde Isabel dos Santos tinha os respetivos negócios, tendo sido nesses mesmo países onde começou a ter problemas com a justiça.

Depois das autoridades portuguesas, juntamente com as autoridades angolanas, terem retido as contas bancárias, casas e participações em empresas, Isabel dos Santos teve de arranjar uma alternativa para sustentar os custos de tribunal. Assim, parte do dinheiro que empresária angolana usava para pagar aos advogados provinha de uma companhia no Dubai, designada por Nemesis International DMCC, criada com o intuito de comprar diamantes a custos reduzidos ao Estado angolano e posteriormente revendê-los no mercado internacional, segundo informação divulgada pelo jornal Expresso.

Duas empresas de Isabel dos Santos sediadas em Angola estavam envolvidas numa disputa em tribunal juntamente com a Sonangol (petrolífera estatal angolana), uma vez que essas duas empresas em questão recorreram a empréstimos da Nemesis para fazer face aos custos dos advogados holandeses. Uma das duas empresas, a Exem Oil & Gas BV, acumulou um total de 2,4 milhões de euros de dívida à Nemesis em dezembro de 2021. Em março de 2020, a empresa Nemesis estabeleceu um acordo para a atribuição de crédito, sem juros, de até 2 milhões de euros com essa mesma empresa angolana, a Exem Oil & Gas BV, de acordo com o Expresso.

O mandado de captura de Isabel dos Santos foi enviado à Interpol no início de novembro por parte das autoridades angolanas. A empresária pode ser detida em qualquer país, apesar de neste momento estar a viver uma vida tranquila no Dubai, onde reside oficialmente e onde não existe um acordo de extradição para Angola.
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