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Milhares despedem-se de ex-presidente da Tanzânia criticado por ignorar a Covid-19

Líderes da oposição afirmam que morte se deveu a complicações resultantes do novo coronavírus.
Lusa 26 de Março de 2021 às 16:23
John Magufuli
John Magufuli
John Magufuli
Milhares de pessoas reuniram-se esta sexta-feira na cidade de Chato, no noroeste da Tanzânia, para o enterro do ex-presidente John Magufuli, cujo ceticismo em relação à pandemia de Covid-19 resultou em críticas internacionais ao país.

Magufuli foi um dos céticos mais proeminentes da Covid-19 em África e, embora o seu governo tenha anunciado que ele tinha morrido de insuficiência cardíaca, a 10 de março, os líderes da oposição e os seus críticos acusam-no de ter morrido de complicações resultantes do novo coronavírus.

Milhares de pessoas reuniram-se no início desta sexta-feira, numa missa num campo de futebol na cidade natal de Magufuli, Chato, que foi presidida pelo arcebispo Gervas Nyaisonga, presidente da Conferência Episcopal da Tanzânia.

Muitos mais seguiram as cerimónias através da televisão e rádio em direto, num país de 60 milhões de habitantes e onde o líder populista foi venerado por muitos pelo seu estilo de liderança combativa.

Magufuli foi substituído pela vice-presidente Samia Suluhu Hassan, que tinha anunciado a sua morte. Hassan tornou-se a primeira mulher a tornar-se presidente na Tanzânia.

Embora muitos tanzanianos tivessem grande estima por Magufuli, um número significativo de tanzanianos sentia que era um ditador que governava com um punho de ferro, pressionando por legislação que reduzia as liberdades fundamentais de expressão e de reunião.

Felix Maluma, um comerciante em Dar es Salaam, comummente referido como Machingas, disse que estava chocado com a morte de Magufuli.

"Não creio que tenhamos um líder tão bom. Rezo para que o próximo líder (Presidente Samia Suluhu Hassan) tenha a coragem de cumprir as promessas feitas pelo presidente Magufuli", disse.

O líder da oposição Tundu Lissu, que ficou em segundo lugar nas eleições de outubro, que foram manchadas pela violência, por alegações generalizadas de manipulação e por forças de segurança que impediram os agentes da oposição de verificar o voto, declarou que Magufuli morreu de Covid-19.

Lissu, que está exilado na Bélgica por temer pela sua vida, no seguimento de ameaças de morte que recebeu após se recusar a aceitar os resultados eleitorais, foi dos primeiros a constatar a ausência de Magufuli da opinião pública, antes da sua morte.

Magufuli estava desaparecido da vida pública desde 27 de fevereiro, quando jurou num novo secretário principal, após a morte do seu antecessor com o que muitos especularam tratar-se de Covid-19.

Durante dias, funcionários do governo negaram que ele estivesse doente, afirmando que estava ocupado e que o presidente não tem o dever de fazer aparições públicas.

Lissu acusa o regime de Magufuli de estar por detrás de uma tentativa de assassinato em 2017, na qual foi baleado 16 vezes.

"O presidente Magufuli desafiou o mundo, desafiou a ciência, desafiou o senso comum na sua abordagem à Covid-29 e isso acabou por fazê-lo cair", disse Lissu à agência Associated Press (AP), na semana passada.

Magufuli tinha afirmado no ano passado que as orações tinham erradicado a Covid-19 da Tanzânia e advertiu os tanzanianos contra a utilização de máscaras e vacinas.

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