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Moratórias ao crédito de 660 empresas cabo-verdianas chegam a 140 milhões de euros

Medidas inserem-se na estratégia do governo cabo-verdiano para minimizar os impactos da crise económica no arquipélago.
Lusa 31 de Agosto de 2020 às 18:20
Cabo Verde
Cabo Verde FOTO: Getty Images
Os bancos cabo-verdianos concederam moratórias a créditos de empresas no valor de quase 140 milhões de euros, devido à Covid-19, segundo dados oficiais divulgados esta segunda-feira.

De acordo com o mais recente balanço da estatal Pró-Empresa, responsável por gerir os apoios às empresas cabo-verdianas no âmbito da pandemia, foram aprovadas, desde abril, 660 moratórias para crédito de empresas.

Essas moratórias ultrapassam em valor os 14.447 milhões de escudos (139,5 milhões de euros), segundo a mesma informação.

Dados anteriores do Banco de Cabo Verde (BCV) indicavam que os bancos cabo-verdianos já tinham concedido, de abril a junho, um total de 2.128 moratórias de crédito a empresas, particulares e câmaras municipais.

O Governo cabo-verdiano tem lançado várias medidas para minimizar os impactos da crise económica no arquipélago, dependente do turismo e fechado ao exterior devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Este regime de moratória é aplicável aos contratos de crédito "celebrados por empresas, empresários em nome individual, instituições particulares de solidariedade social, associações sem fins lucrativos e outras entidades da economia social" e, no caso dos consumidores individuais, "aplica-se aos contratos de crédito para habitação própria permanente e outros créditos", explicou anteriormente o banco central.

Para aceder ao regime de moratória, os clientes dos bancos não podiam, à data de 28 de março, estar em incumprimento de prestações pecuniárias há mais de 90 dias, nem estar em situação de insolvência, no caso das empresas, devendo ainda ter a situação junto da Autoridade Tributária e Aduaneira e da Segurança Social regularizada.

O banco central explicou que podem aceder a esta moratória todos os clientes individuais que tenham residência em Cabo Verde "e estejam em situação de isolamento profilático ou de doença ou prestem assistência a filhos ou netos", os que "tenham sido colocados em redução do período normal de trabalho ou em suspensão do contrato de trabalho, em virtude de crise empresarial" ou estejam em situação de desemprego.

Aos restantes clientes, não abrangidos pelo regime de moratória, o BCV está a apelar para que continuem "a honrar os seus compromissos junto da banca, por forma a se garantir o normal funcionamento do sistema financeiro", enquanto "pilar fundamental" do país.

Cabo Verde contava até 30 de agosto com um acumulado de 3.852 casos de covid-19 diagnosticados desde 19 de março, que provocaram 40 mortos.

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