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Mortalidade por tuberculose em Angola pode aumentar 20% em 2021 devido à pandemia de Covid-19

De acordo com a Organização Mundial da Saúde está entre os 16 países do mundo com maior impacto da covid-19 sobre a tuberculose.
Lusa 14 de Outubro de 2021 às 18:55
Enfermeira dos Médicos Sem Fronteiras vacina um bebé contra a tuberculose
Enfermeira dos Médicos Sem Fronteiras vacina um bebé contra a tuberculose FOTO: RIJASOLO/AFP via Getty Images
Angola está entre os 16 países do mundo com maior impacto da covid-19 sobre a tuberculose, estimando-se que a mortalidade possa aumentar até 20% em 2021, face ao ano passado, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo o Relatório Global da Tuberculose, divulgado esta quinta-feira, em 2020 morreram mais pessoas com a doença infecciosa do que no ano anterior.

"Aproximadamente 1,5 milhões de pessoas morreram de tuberculose", com aumento do número de mortes "sobretudo nos 30 países" com índices mais elevados de tuberculose, entre os quais Angola, Brasil, China, Índia, Indonésia, Moçambique, Nigéria ou África do Sul.

Simultaneamente, acrescenta a OMS, "muito menos pessoas foram diagnosticadas" com a doença - de 7,1 milhões em 2019 para 5,8 milhões em 2020 -, tendo o número de pessoas com acesso a tratamento preventivo baixado 21% em relação a 2019.

Angola está entre os 16 países que mais contribuíram para a subnotificação da doença, num grupo liderado pela Índia, Indonésia e Filipinas e onde o país lusófono aparece na 11.ª posição.

"A redução substancial no número de casos de tuberculose detetados e reportados entre 2019 e 2020 reflete, provavelmente, perturbações tanto a nível da oferta como da procura de serviços de tratamento e diagnóstico da tuberculose", indica o relatório.

Entre estas "perturbações" estão a redução da capacidade dos serviços de saúde para continuar a disponibilizar tratamentos, menos disponibilidade e possibilidade de procurar cuidados num contexto de confinamento e restrições à circulação de pessoas, preocupações quanto ao risco de se deslocar às unidades de saúde em tempo de pandemia e o estigma associado à semelhança dos sintomas entre tuberculose e covid-19.

Neste cenário, a OMS prevê que os impactos negativos a nível de mortalidade e incidência da tuberculose neste grupo de países irão ser muito piores em 2021 e 2022, esperando-se maior impacto a nível de mortalidade em 2021 e a nível de incidência em 2022.

No caso de Angola é esperado um aumento de 20% em 2021 face às taxas de mortalidade registadas em janeiro de 2020, descendo para 10% em 2022 e continuando a reduzir-se até 2025, mas ainda assim acima dos níveis de 2020.

Em Angola, a tuberculose é a terceira causa de morte, depois da malária e dos acidentes de viação com uma incidência de 351 casos por 100.000 habitantes

Os últimos dados, divulgados pela agência de notícias angolana, ANGOP, indicam que o número de pacientes com tuberculose em Angola caiu de 78.305, em 2019, para 65.821, em 2020, representando uma redução de 12.484 casos.

A OMS constatou ainda, no seu relatório, uma diminuição da despesa com serviços essenciais relacionados com a tuberculose, a doença infecciosa mais mortífera a seguir à covid-19.

"Em muitos países, recursos humanos, financeiros e outros foram realocados para a resposta à covid-19", observa a organização, considerando que "o principal desafio" abarca a interrupção no acesso a serviços de controlo da tuberculose e a redução dos recursos.

A tuberculose é uma doença grave, mas curável, transmitindo-se principalmente por via aérea, através da inalação de gotículas expelidas pela pessoa doente quando tosse, fala ou espirra.

 

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