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ONG considera infelizes declarações de Presidente da República moçambicano sobre violência contra ativistas

Declarações do chefe de Estado levantam insinuações sem esclarecer as razões dos ataques a Ericino de Salema e a José Macuane.
16 de Maio de 2019 às 10:46
Filipe Nyusi, presidente de Moçambique
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi disse ter obtido esta garantia do seu homólogo chinês, Xi Jinping
Filipe Nyusi, presidente de Moçambique
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi disse ter obtido esta garantia do seu homólogo chinês, Xi Jinping
Filipe Nyusi, presidente de Moçambique
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi
Filipe Nyusi disse ter obtido esta garantia do seu homólogo chinês, Xi Jinping
O escritório moçambicano do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA-Moçambique) considerou esta quinta-feira infelizes as declarações do Presidente da República de que a violência contra um jornalista e um académico não está relacionada com as suas funções.

Filipe Nyusi disse, em entrevista ao semanário Canal de Moçambique que os investigadores das agressões a Ericino de Salema, jornalista e ativista social, e a José Macuane, académico e comentador político, estariam relacionadas com "causas sociais e outras explicações" e não com os seus pronunciamentos públicos.

"Quando procurei saber dos investigadores o que terá acontecido, eles disseram-me outras coisas que não têm nada a ver (...) falavam de coisas de ordem social ou qualquer outra explicação", afirmou o chefe de Estado moçambicano.

Em declarações à Lusa, o diretor-executivo do MISA-Moçambique, Ernesto Nhanale, considerou infelizes as declarações do chefe de Estado, porque levantam insinuações sem esclarecer as razões dos ataques a Ericino de Salema e a José Macuane.

"Houve violência contra essas duas figuras e até agora não se conhecem os autores, pelo que até prova em contrário, o ataque aos dois está relacionado com a sua intervenção cívica", afirmou Ernesto Nhanale.

O diretor-executivo do MISA afirmou que as declarações do chefe de Estado aumentam as dúvidas em relação à vontade de esclarecer as razões da agressão aos dois.

"Causas sociais ou outras explicações, como diz o Presidente, não devem justificar a impunidade dos autores, porque o que aconteceu é criminoso, contra duas referências do debate público nacional, independentemente das motivações", acrescentou.

Sobre o facto de a entrevista de Filipe Nyusi ao Canal de Moçambique ter sido a primeira desde que assumiu o mandato há mais de quatro anos, o diretor-executivo elogiou que a mesma tenha sido a um jornal privado, mas considerou que pode ser parte de uma estratégia de pré-campanha para as eleições gerais de 15 de outubro.

"A entrevista ao Canal de Moçambique é um bom sinal, porque se trata de um jornal independente, mas não tem de ser vista com inocência, porque foi calculada dentro de uma estratégia de pré-campanha", declarou Ernesto Nhanale.

Depois da entrevista, prosseguiu, o país tem de estar atento a uma onda de propaganda política nos órgãos de comunicação social próximos da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

Em março do ano passado, Ericino de Salema foi levado por desconhecidos à saída do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), onde estivera a almoçar, tendo sido agredido com instrumentos contundentes nas pernas.

Os agressores abandonaram o jornalista perto da estrada circular de Maputo, sendo encontrado por populares que o levaram ao hospital.

À data do seu rapto e agressão, Ericino de Salema era comentador do programa "Pontos de Vista", do canal privado de televisão STV.

Em 2016, José Macuane, politólogo e comentador do mesmo programa, foi raptado, baleado nas pernas e abandonado no mesmo lugar que foi encontrado Ericino de Salema.

Os casos ainda não foram esclarecidos pelas autoridades judiciais.
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