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ONU alerta para a violência dos grupos armados no norte de Moçambique

Ataques ocorrem na região onde se situam as obras para exploração de gás natural nos próximos anos.
Lusa 12 de Setembro de 2019 às 17:23
Sobe para cinco o número de lojas de portugueses atacadas em Joanesburgo
Sobe para cinco o número de lojas de portugueses atacadas em Joanesburgo FOTO: Getty Images
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) considerou esta quinta-feira em Maputo que a violência armada na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a "intensificar-se" e pode ameaçar a segurança regional.

"Os chamados grupos terroristas têm aumentado a intensidade dos ataques na província de Cabo Delgado", lê-se num comunicado distribuído esta quinta-feira.

Aquela agência da UNODC emitiu a nota, na sequência de "consultas de alto nível" que promoveu com quadros do Estado moçambicano, para a elaboração e aprovação do "Plano de ação estratégico abrangente em resposta ao crime organizado, transnacional, drogas e terrorismo".

Na reunião com as autoridades moçambicanas, o diretor de Prevenção de Terrorismo na UNODC, Massood Karimipor, afirmou que "criminosos e terroristas exploram igualmente a debilidade das fronteiras e da fiscalização em geral, particularmente na província de Cabo Delgado, no norte, para arrecadar fundos, planear e mobilizar atividades criminosas e violentas".

O UNODC, continuou, está pronto para prestar assistência adicional ao Governo de Moçambique para prevenir e combater o crime e o terrorismo, de acordo com as convenções e normais internacionais", refere o comunicado.

O representante do UNODC em Moçambique, César Guedes, manifestou preocupação com o aumento da utilização do território moçambicano para o tráfico de drogas, principalmente heroína proveniente de Afeganistão.

"Nos últimos anos, as províncias da região costeira tornaram-se pontos de entrada e saída de mercadorias ilícitas, tais como drogas que chegam do Afeganistão", disse Guedes, citado no comunicado.

Os crimes contra a vida selvagem e a floresta também foi discutida, uma vez que Moçambique tem sido palco do crime organizado transnacional, que tentam explorar a rica biodiversidade.

"O tráfico de fauna e flora selvagens, juntamente com os crimes na cadeia de valor da pesca, roubam recursos naturais e impedem que uma renda valiosa seja destinada para apoiar o desenvolvimento social e económico de comunidades que dependem de recursos naturais", lê-se na nota.

"Todos reconhecemos que nas últimas décadas, Moçambique perdeu 80% da sua população de elefantes e que, em 2014-2014, os últimos rinocerontes selvagens foram caçados por criminosos", afirmou Jorge Rios, que lidera a área de combate aos crimes contra a vida selvagem e floresta na UNODC.

De acordo com números recolhidos pela Lusa, a onda de violência em Cabo Delgado, desde 2017, já terá provocado a morte de cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

Os ataques ocorrem na região onde se situam as obras para exploração de gás natural nos próximos anos.
O grupo 'jihadista' Estado Islâmico anunciou pela primeira vez, em junho, estar associado a um dos ataques, mas a Polícia da República de Moçambique (PRM) informou na altura que esta informação não era verdadeira.
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