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Partido da Ação Democrática Independente repudia tentativa de golpe de Estado e lamenta "danos irreparáveis" em São Tomé

ADI "reafirma confiança no Governo e nas autoridades para que se faça justiça, que a ordem e tranquilidade públicas, sejam repostas, para o bem de todos".
Lusa 25 de Novembro de 2022 às 22:49
Golpe de Estado em São Tomé
Golpe de Estado em São Tomé
A Ação Democrática Independente (ADI), partido na governação são-tomense, repudiou de forma veemente a alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida esta sexta-feira de madruga no país e lamentou os "irreparáveis danos materiais e humanos".

"Face os acontecimentos das últimas horas, o partido Ação Democrática Independente (ADI), vem repudiar veementemente os incidentes perpetrados por um grupo de cidadãos bem identificados, nas instalações do Quartel-general das nossas Forças Armadas", lê-se num comunicado publicado pelo partido, esta noite no Facebook.

O comunicado assinado pelo secretário-geral da ADI, Américo Ramos refere que "é de lamentar os irreparáveis danos, materiais e humanos, consequentes desta despropositada atitude", manifesta "solidariedade para com as Forças Armadas e exige um inquérito para que se apure responsabilidades".

A ADI "reafirma confiança no Governo e nas autoridades para que se faça justiça, que a ordem e tranquilidade públicas, sejam repostas, para o bem de todos".

"Igualmente, lamenta-se a paralisação de alguns serviços públicos, estabelecimentos escolares que viram-se forçados a parar atividades, bancos comerciais e demais serviços, como medida de prevenção", lê-se no comunicado onde se apela à "calma aos seus militantes, amigos e simpatizantes, população em geral, estrangeiros e residentes" no país.

Durante a madrugada desta sexta-feira, quatro homens, civis, atacaram o quartel militar, o que o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, descreveu como "uma tentativa de golpe de Estado". 

O ataque, que se prolongou por quase seis horas, com intensas trocas de tiros e explosões, foi neutralizado pelas 06h00 locais (mesma hora em Lisboa), com a detenção dos quatro assaltantes e de alguns militares suspeitos de envolvimento no ataque.

Dos quatro atacantes, três morreram, bem como o suspeito Arcélio Costa, que tinha sido levado pelos militares para o quartel às primeiras horas da manhã, disse, ao início da tarde, fonte ligada ao processo.

Ao início da manhã, os militares detiveram, nas suas respetivas casas, o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves, atualmente deputado pelo movimento Basta, e Arlécio Costa, antigo oficial do 'batalhão Búfalo' que foi condenado em 2009 por uma tentativa de golpe de Estado, alegadamente identificados pelos atacantes como mandantes.

Os assaltantes teriam atuado com a cumplicidade de militares no interior do quartel, tendo pelo menos três cabos sido detidos. No exterior, cerca de 12 homens aguardavam, em carrinhas, e alguns fugiram durante as trocas de tiros com os militares.

Os atacantes e os militares envolveram-se em confrontos, tendo o oficial de dia sido feito refém e ficado ferido com gravidade após agressões.

Em conferência de imprensa, cerca das 09:00, o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, que assumiu o cargo há duas semanas, disse que a situação no país estava "calma e controlada" e elogiou a atuação das Forças Armadas, que defenderam o quartel "com profissionalismo".

O chefe do Governo disse ainda esperar que a justiça faça o seu trabalho e pediu "mão firme" para os responsáveis da tentativa de golpe, depois de ter anunciado a detenção de Delfim Neves e Arlécio Costa pelos militares, "na base de declarações do primeiro grupo de quatro [atacantes]".

Portugal e Cabo Verde já repudiaram o ataque.

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