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Pessoas com deficiência são "extremamente discriminadas" em Cabo Verde

Levantamento realizado pela "Humanité & Inclusion" apurou que estas pessoas são alvo de vários tipos de violência: verbal, física, sexual.
16 de Maio de 2019 às 15:35
Cabo Verde conseguiu a independência a 5 de julho de 1975
Cabo Verde conseguiu a independência a 5 de julho de 1975 FOTO: Getty Images
Uma responsável da organização "Humanité & Inclusion" em Cabo Verde denunciou esta quinta-feira que as pessoas com deficiência são "extremamente discriminadas" neste país, uma das razões para a prevalência do VIH/Sida ser quase quatro vezes maior neste grupo.

Adelsia Almeida falava à agência Lusa à margem do "Ateliê de partilha de experiência dos municípios", que está a decorrer na cidade da Praia, que pretende sensibilizar o poder local para a necessidade de promover uma maior acessibilidade das pessoas com deficiência.

Segundo a representante desta organização não-governamental (ONG), que luta por melhores respostas no combate ao VIH e que trabalha com as pessoas com deficiência em Cabo Verde, Senegal, Guiné-Bissau, Burkina Faso e Níger, são muitas as barreiras "físicas e sociais" que se erguem em Cabo Verde no dia-a-dia destes cidadãos.

Um dos reflexos dessas dificuldades no acesso aos serviços de saúde é a taxa de prevalência do VIH, que se estima ser de 0,6% na população cabo-verdiana e que atinge os 2,3% nas pessoas com deficiência. A percentagem aumenta para os 9,1% nas pessoas portadoras de deficiência mental.

Um levantamento realizado pela "Humanité & Inclusion" apurou que estas pessoas são alvo de vários tipos de violência: verbal, física, sexual.

São ainda mais pobres, com menos escolaridade, o que os torna "mais vulneráveis", nomeadamente aos vírus, como o VIH/Sida.

Adelsia Almeida sublinhou que o quadro jurídico é muito positivo em Cabo Verde, mas que a sua aplicação carece ainda de algumas melhorias.

Por outro lado, acrescentou, os profissionais dos serviços de saúde precisam de uma "maior formação" neste domínio.

Esta responsável referiu que as dificuldades começam mal uma pessoa com deficiência sai de casa, seja por causa das barreiras físicas, dos transportes públicos ou dos acessos nos serviços públicos, como rampas ou balcões.

Curiosamente, disse, é frequente encontrar-se acessos para pessoas com deficiência, como rampas para cadeiras de rodas, mas estes não respeitam as normas e são simplesmente inutilizáveis para este fim.

Por esta razão, o encontro desta quinta-feira visa sensibilizar o poder local para aplicar as normas que já existem, de forma a facilitar a vida a quem tem uma deficiência.

Em abril, a "Humanité & Inclusion" entregou ao presidente da Assembleia Nacional um caderno reivindicativo a solicitar mais ações com vista à inclusão plena de pessoas com deficiência no centro das políticas e programas do Governo de Cabo Verde.
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