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Rapper Hélio Batalha apresenta o seu último trabalho no Musicbox em Lisboa

ANA é uma homenagem à sua mãe, Ana, e a todas as mulheres cabo-verdianas, africanas e de todo o mundo.
Tiago Sousa Dias 18 de Outubro de 2019 às 19:58
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Rapper Hélio Batalha apresenta o seu último trabalho no Musicbox em Lisboa
O rapper Hélio Batalha esteve em Lisboa e deu um concerto na espaço Music Box, onde apresentou o seu mais recente trabalho ANA. Uma homenagem à sua mãe, Ana, e a todas as mulheres cabo-verdianas, africanas, e de todo o mundo.

"É uma mensagem de emancipação, de amor, de respeito, força e coragem. Para que nunca deixem de acreditar nos seus sonhos. Que a cada dia o homem e a mulher possam caminhar juntos para um futuro promissor, um futuro melhor", explica Hélio ao CM.

ANA contém uma trilogia, constituída pelos temas 'Rabidante', 'Nha último carta' e 'Final feliz'. No primeiro tema retrata a angústia, o desespero e o trabalho duro da mulher cabo-verdiana nas ruas da cidade da Praia.

"Uma luta que é muitas vezes barrada pela polícia que dificulta a vida de algumas mulheres que todos os dias saem de casa para procurar o sustento para a familia. Eu fui rabidante, nos meus 9, 10, 11 anos. Vendi pão, batatas, mandioca na cidade da Praia. Conheço essa dor, essa realidade. A minha mãe é rabidante, o meus irmãos tambem o foram", informa o cantor.

"'Nha último carta' é a parte da trilogia que fala sobre a saudade. A distância do homem que deixou a rabidante em Cabo Verde e partiu para procurar uma vida melhor em Lisboa. Mas essa partida culminou na separação do casal, ficando a mulher grávida em Cabo Verde", diz Hélio Batalha que acrescenta: "'Nha último carta de amor', é a última carta escrita pelo marido em Lisboa para a mulher em Cabo Verde sobre um possiver reencontro."

'Final feliz', è a parte final da trilogia que na ótica do cantor não pode ser retratado sempre de uma forma negativa. "Eu quis falar da história da mulher cabo-verdiana numa versão que conta com um final feliz. Para encorajar, para mostrar que é possivel, se acreditarem nos seus sonhos, serem felizes", afirma Hélio desafiando as mulheres a lutar e correr atrás dos seus sonhos e direitos. A música conta com a participação de Élida Almeida, com quem no videoclipe celebra um casamento, e foi uma 'bomba'. Um mês após o lançamento contava já com 1 milhão de visualizações no Youtube.

Para além destas 3 músicas, o seu último EP, ANA, conta ainda com os temas 'Nada ca é impossivel pa Homis di bom Coraçon', 'Wuau' uma referência ao cantor Jorge Neto, e também 'Ka Ta Da', uma música forte e de intervenção social, uma chamada de atenção para todos os cabo-verdianos e africanos.

"A xenofobia que existe entre os africanos não pode existir. Não podemos ter preconceitos com outros africanos que são nossos irmãos. É a nossa familia, a nossa raça. Com 'Ka Ta Da' eu quis retratar a realidade pura que existe em Cabo Verde. Os nossos irmãos que vêm da costa ocidental africana são muitas vezes maltratados", afirma Hélio Batalha, que com este tema apela a todos os cabo-verdianos em Cabo Verde ou na diáspora que analisem a situação de outra forma e mudem de mentalidade, vejam que os guineenses, senegaleses, nigerianos, todos os africanos e povos do mundo inteiro são irmãos.

"Temos que nos emancipar, para juntos ganharmos direitos e não através da xenofobia e preconceito diminuirmos o outro. Esse é o propósito de 'Ka Ta Da'."

Hélio afirma que como jovem cabo-verdiano não pode admitir a xenofobia, e lutará com a sua voz ativa, seja no Rap ou em intervenção social. Espera que com a eleição de três deputadas negras na Assembleia da Répública em Portugal, se combata rigorosamente o racismo. "Que os negros possam ter uma posição diferente. Que não seja apenas limpar o chão ou qualquer trabalho precário", conclui o cantor.
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