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Reino Zulu presta última homenagem a rainha regente

Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu, morreu na quinta-feira no hospital. Tinha 65 anos.
Lusa 5 de Maio de 2021 às 19:55
Mantfombi Dlamini tinha 65 anos
Mantfombi Dlamini tinha 65 anos FOTO: Direitos Reservados
O reino amaZulu, o maior grupo étnico na África do Sul com mais de 11,5 milhões de súbditos, iniciou esta quarta-feira a última homenagem à rainha regente Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu, que morreu na quinta-feira no hospital.

A monarca Zulu, de 65 anos, irmã do rei Mswati III do reino de Essuatíni (antiga Suazilândia), foi nomeada no mês passado regente do reino amaZulu, após a morte do rei dos zulus Goodwill Zwelithini ka Bhekuzulu, em 12 de março, com 72 anos.

O corpo da rainha regente zulu foi transportado hoje com cerimónias de Estado desde o laboratório forense em Joanesburgo, onde se realizou a autópsia, na presença das "amatshitshi" (donzelas) da rainha, representantes da família real Zulu e da casa real de Essuatíni, assim como de diversas autoridades políticas.

Acompanhado por dezenas de "amabutho" (guerreiros do rei) vestidos com pele de leopardo, escudo e lança, nesta sua última viagem até à residência oficial na casa real zulu em Kwanongoma, nordeste da província do Kwazulu-Natal, o cortejo fúnebre foi igualmente saudado durante o seu percurso até ao reino Zulu.

O corpo da rainha regente chegou ao final da tarde ao palácio real KwaKhethomthandayo, onde será celebrada uma cerimónia tradicional privada de despedida, antes de a família real proceder ao enterro de madrugada, na mais estrita privacidade e secretismo.

Na sexta-feira, será realizado um funeral oficial, na presença de representantes do Governo sul-africano, antigos chefes de Estado e membros da casa real da vizinha Essuatíni.

A rainha Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu, filha do falecido rei Sobhuza II (1899-1982) e irmã do rei Mswati III do reino de Essuatíni (antiga Suazilândia) morreu no hospital em Joanesburgo em 29 de abril, de causas ainda não reveladas.

A soberana deveria liderar a nação Zulu até ao final de um período de luto de três meses, após o qual seria anunciado um novo rei.

Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu casou com o rei Goodwill Zwelithini, em 1977, passando a ser a terceira esposa do monarca, tendo sete filhos. O mais velho, o príncipe Misuzulu kaZwelithini, é apontado como possível sucessor ao trono.

A rainha Mantfombi ocupava a posição mais alta entre as seis viúvas do rei Goodwill Zwelithini por ser de ascendência nobre, apesar de ser cronologicamente a terceira mulher.

Tradicionalmente, após a morte do rei, a coroa corresponde ao filho mais velho da primeira das esposas do soberano, mas o primogénito dos 28 filhos de Zwelithini morreu em 2020, em Joanesburgo.

O rei Goodwill Zwelithini KaBhekuzulu, que reinou desde 1971, morreu em 12 de março, de doença associada à diabetes e à covid-19, no hospital público Chief Albert Luthuli, em Durban, litoral do país, e foi sepultado em Kwanongoma, nordeste da província do KwaZulu-Natal.

Goodwill Zwelithini e Shiyiwe Mantfombi Dlamini Zulu visitaram a Madeira e estiveram em Lisboa a convite do herdeiro da coroa portuguesa, Duarte Pio, duque de Bragança, em abril de 1992, tendo sido recebidos também pelo então Presidente Mário Soares.

Voltaram a estar em Portugal, em maio de 1995, no casamento do duque de Bragança no Mosteiro dos Jerónimos.

Em abril de 1999, o rei Zwelithini e a rainha Shyiwe Zulu visitaram a Sociedade Portuguesa de Beneficência a convite do empresário português José de Castro, tal como refere uma placa comemorativa patente na instituição benemérita em Joanesburgo.

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