Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
8

Renamo acusa Frelimo de "manobras dilatórias e fraudulentas" no recenseamento eleitoral

Partido exige a demissão imediata do diretor-geral do STAE, Felisberto Naife, por não estar a "defender os interesses mais nobres" dos moçambicanos.
Lusa 29 de Maio de 2019 às 15:10
Momade era coordenador interino do movimento desde a morte de Dhlakama
Momade era coordenador interino do movimento desde a morte de Dhlakama
Momade era coordenador interino do movimento desde a morte de Dhlakama
Momade era coordenador interino do movimento desde a morte de Dhlakama
Momade era coordenador interino do movimento desde a morte de Dhlakama
Momade era coordenador interino do movimento desde a morte de Dhlakama
A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) acusou esta quarta-feira o Governo da Frelimo, partido no poder, de estar organizar "manobras dilatórias" no recenseamento para vencer as eleições gerais, exigindo a demissão do diretor-geral do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE).

"Fica claro que ao organizar estes esquemas fraudulentos, a Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique] pretende perpetuar-se no poder de forma ilícita e ilegitima", declarou Ossufo Momade, presidente da Renamo, durante uma teleconferência a partir da serra da Gorongosa, centro de Moçambique.

Para a Renamo, o recenseamento eleitoral, que termina na quinta-feira, foi marcado por irregularidades e, consequentemente, devia ter o seu prazo prorrogado, uma alternativa descartada pelos órgãos eleitorais.

Entre as irregularidades, o principal partido de oposição em Moçambique destaca o "inicio tardio deliberado" do recenseamento eleitoral com maior incidência nas províncias do centro e norte do país, zonas de forte influência da Renamo.

"Houve também promoção criminosa de dupla inscrição de funcionários públicos, sobretudo professores e enfermeiros, através de manipulação e chantagem, alegadamente para manterem seus empregos", acrescentou Ossufo Momade.

Para o presidente da Renamo, as alegadas irregularidades colocam em causa o "direito legítimo e constitucional que assiste aos moçambicanos de serem eleitos e elegerem os seus representantes".

A Renamo exige ainda a demissão imediata do diretor-geral do STAE, Felisberto Naife, por não estar a "defender os interesses mais nobres" dos moçambicanos.

Contactado pela Lusa, o porta-voz do STAE, Cláudio Langa, afastou a possibilidade de uma prorrogação do prazo do recenseamento eleitoral, considerando que isso poderia baralhar o calendário eleitoral.

"Os órgãos eleitorais não estão a cogitar prolongar o prazo porque isso, além de baralhar o calendário eleitoral, envolve outros custos", afirmou o porta-voz do STAE, que preferiu não comentar sobre os alegados casos de irregularidades denunciados pela Renamo por falta de informações.

As eleições gerais - legislativas, presidenciais e provinciais - estão marcadas para 15 de outubro, marcando assim o término do ciclo eleitoral 2018/2019, que começou com as eleições autárquicas a 10 de outubro do ano passado.

Os órgãos eleitorais moçambicanos preveem recensear sete milhões de eleitores e, até o 26 de maio, segundo dados oficias, o STAE tinha recenseado 73 % da meta prevista.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)