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Risco fiscal é o que mais pesa sobre as projeções de inflação em Moçambique

Crédito à economia "continua a recuperar, mas de forma lenta", com uma expansão mensal de 0,7% e anual de 1,0% em abril.
19 de Junho de 2019 às 22:47
Bandeira de Moçambique
Bandeira de Moçambique FOTO: Getty Images
O risco fiscal é o que mais pesa sobre as projeções de inflação em Moçambique, devido às eleições deste ano e à imprevisibilidade dos apoios pós-ciclones, anunciou esta quarta-feira em comunicado o Comité de Política Monetária (CPMO) do banco central.

"A nível interno, destaca-se o risco fiscal, em face do prolongamento das incertezas, não só quanto ao financiamento dos processos políticos em curso, como também em relação à tempestividade dos desembolsos externos necessários" após os ciclones, refere o Banco de Moçambique.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março e provocou 603 mortos, enquanto que o ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas.

Os apoios externos são precisos "para a mitigação dos danos e reconstrução das zonas afetadas pelos recentes desastres naturais, num cenário de potencial perda de receita pública por efeito desses mesmos desastres".

Isto acontece num ano com eleições gerais - presidenciais e legislativas - marcadas para 15 de outubro.

Por outro lado, os indicadores apontam para um "refreamento do crescimento económico no segundo trimestre de 2019", apesar de, a médio prazo, prevalecer a expectativa de recuperação do Produto Interno Bruto, "estimulada sobretudo pelas atividades de reconstrução pós-desastres naturais e pelo impulso decorrente da materialização dos projetos de gás natural".

O crédito à economia "continua a recuperar, mas de forma lenta", com uma expansão mensal de 0,7% e anual de 1,0% em abril.

Neste cenário, o Estado financia-se no mercado doméstico e a dívida pública interna aumentou desde a última reunião do CPMO, passando o saldo para 131.547 milhões de meticais (cerca de 1.900 milhões de euros).

O metical (moeda moçambicana) registou ganhos nominais (ganhou cerca de três dólares em mês e meio) e as reservas internacionais cresceram 86 milhões de dólares para 3.133 milhões, "valor que permite cobrir aproximadamente seis meses de importação de bens e serviços".
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