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Seca afeta sul de África e coloca 45 milhões de pessoas sob ameaça de fome

Fornecimentos urgentes de alimentação estão planeados para zonas da África do Sul, Zâmbia, Zimbabué e outros países.
Lusa 8 de Novembro de 2019 às 08:00
Tempo seco
Tempo seco FOTO: Getty Images
A forte seca que afeta vastas áreas no sul de África está a ameaçar de fome cerca de 45 milhões de pessoas, divulgou na quinta-feira a organização não-governamental Oxfam.

Fornecimentos urgentes de alimentação estão planeados para zonas da África do Sul, Zâmbia, Zimbabué e outros países, que foram atingidos por uma combinação de chuva escassa e temperaturas elevadas.

"Estamos a testemunhar milhões de pessoas, que já são pobres, a enfrentarem uma insegurança alimentar extrema e a esgotarem as suas reservas, devido à combinação de choques climáticos, que atingiram sobretudo as comunidades que já estavam vulneráveis. Estas precisam de ajuda urgente", afirmou Nellie Nyang'wa, diretor da Oxfam para o sul de África.

"A dimensão da devastação da seca através do sul de África é espantosa", acrescentou.

Partes do Zimbabué registaram as precipitações mais baixas desde 1981, contribuindo para colocar mais de 5,5 milhões em risco de insegurança alimentar extrema, avançou a Oxfam, em documento divulgado na quinta-feira.

A área da Zâmbia que é grande produtora de milho foi atingida fortemente, com as exportações a serem proibidas, colocando 2,3 milhões em insegurança alimentar, segundo a Oxfam e a Cruz Vermelha da Zâmbia.

A seca também degradou a disponibilidade alimentar em Angola, Maláui, Moçambique, Madagáscar e Namíbia, segundo a Oxfam.

A região sul-africana só em um dos últimos cinco anos recebeu a precipitação considerada normal, o que atingiu em particular os pequenos agricultores, que dependem da chuva para as suas sementeiras, adiantou o Programa Alimentar Mundial, na semana passada.

As agências alimentares da ONU planeiam distribuir ajuda alimentar de emergência a 11 milhões de pessoas nos próximos meses.

Dois ciclones cataclísmicos atingiram Moçambique, Zimbabué e outros países da zona no início deste ano, destruindo várias sementeiras, designadamente de milho.

Sem a precipitação normal, os agricultores de subsistência estão muito pressionados para recuperar da destruição provocada pelas tempestades tropicais.

"A mistura sucessiva de secas e inundações tem sido catastrófica para muitas comunidades. Em muitas das áreas afetadas não existe água potável suficiente, o que significa que as pessoas e os animais -- tanto o gado como os selvagens -- estão a usar os mesmos pontos de água", afirmou Kaitano Chungu, secretário-geral da Cruz Vermelha da Zâmbia.

"Isto é inaceitável, uma vez que expõe as pessoas a doenças e cria um risco acrescido de ataques por parte dos animais" selvagens, adiantou.

Algumas famílias nas áreas mais afetadas estão a sobreviver à escassez alimentar, comendo fruta e raízes selvagens, disse Chungu.

A seca também está a afetar a vida selvagem da região. Pelo menos 105 elefantes morreram no Zimbabué devido à falta de água e vegetação, informaram os serviços dos parques nacionais do país.
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