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Seis detidos por desobediência após protesto contra violência de género em São Tomé

Entre os detidos, quatro mulheres e duas mulheres, encontra-se a figura principal do grupo ativista 'Anda Pligu', Apolinário Zeferino.
Lusa 18 de Junho de 2021 às 13:47
Algemas
Algemas FOTO: Getty Images
Seis pessoas foram detidas no final da tarde de quinta-feira, após uma manifestação organizada pela sociedade civil contra a violência contra as mulheres em São Tomé, disse à Lusa fonte policial.

Entre os detidos, quatro mulheres e duas mulheres, encontra-se a figura principal do grupo ativista 'Anda Pligu', Apolinário Zeferino.

Fonte policial adiantou que os seis detidos deverão ser presentes esta sexta-feira ao Ministério Público.

Em comunicado colocado esta sexta-feira na sua página oficial, o Comando Geral da Polícia Nacional acusa estes cidadãos de prática de ações que se "consubstanciavam como risco elevado de desordem pública e desobediência".

"Um grupo de cidadão decidiu, arbitrariamente, desobedecer às orientações definidas pelas proponentes da iniciativa (em concertação com a polícia) e iniciaram um cortejo pedestre passando pelo Palácio do Governo, pela sede da Emae (Empresa de Água e Eletricidade), em direção à Cadeia Central", explica a polícia são-tomense, em comunicado.

"Ação esta que fora imediatamente impedida por uma equipa da Polícia Nacional, pois consubstanciava-se como risco elevado de desordem pública e desobediência, deixando de ser uma manifestação pacífica", acrescenta o comunicado.

A Polícia Nacional lembrou que a manifestação contra a violência contra as mulheres tinha prevista uma concentração "apenas na Praça da Independência", conforme o pedido feito pelos seus organizadores.

"Por esta razão a polícia viu-se obrigada a mobilizar os seus efetivos de forma a conter os intentos dos manifestantes e repor a ordem pública, culminando com a detenção de seis pessoas, sendo quatro do sexto feminino e dois do sexo masculino, identificados como os instigadores desta desordem", indica a polícia.

De acordo com a polícia, depois da detenção, foi imposto o Termo de Identidade e Residência e os seis detidos foram "notificados para comparecer no dia seguinte nas instalações do comando para efeitos de tramitação dos expedientes legais".

A polícia diz que "está e estará sempre solidária" com as causas da prevenção e combate a qualquer tipo de violência, "com especial incidência para os casos de violência doméstica e abuso sexual de menor", mas defende que "tal exercício cívico deve respeitar sempre os preceitos legais".

Fonte policial adiantou à Lusa que os advogados dos detidos estão a negociar com a polícia uma eventual "apaziguação" do caso sem que o assunto chegue ao Ministério Público.

A manifestação na capital são-tomense reuniu cerca de 300 pessoas, que protestaram contra o crime de violência doméstica no país, na sequência do homicídio de uma mulher, no sábado passado, pelo ex-companheiro.

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