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Sinais de crise na Renamo lançam incerteza sobre negociações de paz em Moçambique

Um grupo de guerrilheiros do braço armado da Resistência Nacional Moçambicana ameaçou, esta quarta-feira, matar o líder do partido.
14 de Junho de 2019 às 16:28
Afonso Dhlakama é o líder da Renamo
Afonso Dhlakama é o líder da Renamo FOTO: EPA
Analistas ouvidos esta sexta-feira pela Lusa defendem que os sinais de crise na Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, criam incerteza nas negociações para a paz, porque podem levar a um fracionamento do braço armado da organização.

Na quarta-feira, um grupo de guerrilheiros do braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) ameaçou matar o líder do partido, Ossufo Momade, caso não renuncie ao cargo, acusando-o de estar a destruir a organização em conluio com os Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE).

Em declarações à Lusa, o sociólogo e jornalista moçambicano Rogério Sitoe considerou preocupante a situação na Renamo, porque se trata de um partido com "uma ala armada" e que é um parceiro essencial para a paz no país.

"Ainda não temos dados suficientes para saber se há ou não uma crise, mas temos indícios preocupantes que lançam dúvidas sobre o processo negocial visando a paz", afirmou Rogério Sitoe.

Rogério Sitoe entende que o Governo e toda a sociedade moçambicana devem contribuir para a rápida unificação da ala militar da Renamo, para que o processo do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) do braço militar do principal partido da oposição seja inclusivo e completo.

"Que nenhum setor armado da Renamo se sinta excluído do DDR, para que não tenhamos nenhum foco de instabilidade no futuro", acrescentou Rogério Sitoe.

António Boene, jurista e analista político, também considera que as desinteligências no principal partido da oposição podem complicar o processo de paz, porque uma das alas da Renamo pode sentir-se alienada do processo.

"O processo de paz tem de ser negociado com um interlocutor com força e autoridade, pelo que a contestação a Ossufo Momade levanta questionamentos sobre a idoneidade dele como parceiro para a paz", afirmou Boene.

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, disse esta sexta-feira que o líder da Renamo, principal partido da oposição, Ossufo Momade, continua "um interlocutor" válido para a paz, apesar de estar a ser contestado por uma fação guerrilheira da organização.

"Para nós, Frelimo, Ossufo Momade continua a ser um interlocutor válido", declarou o porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Caifadine Manasse, falando em conferência de imprensa.

Na quarta-feira, um grupo de guerrilheiros da Renamo ameaçou matar o líder do partido, caso não renuncie ao cargo, acusando-o de destruir a organização.

Em resposta, na quinta-feira, o porta-voz da Renamo, José Manteigas, desvalorizou a situação, chamando desertor ao oficial que falou em nome dos revoltosos.
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