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Sociedade civil moçambicana defende diálogo permanente para sucesso do acordo de paz

Interação entre os dirigentes moçambicanos deve incidir sobre questões estruturais de âmbito político, económico e social.
Lusa 15 de Agosto de 2019 às 17:02
Bandeira Moçambique
Bandeira Moçambique FOTO: Getty Images
A Sala da Paz, coligação de organizações da sociedade civil moçambicana, defendeu esta quinta-feira uma plataforma de diálogo permanente entre as lideranças políticas nacionais para o sucesso do acordo de paz assinado no dia 06 de agosto em Maputo.

"É necessária a criação de um fórum de diálogo permanente entre as lideranças, para a avaliação conjunta da implementação do acordo", refere um comunicado divulgado hoje pela Sala da Paz, em reação ao Acordo de Paz e Reconciliação Nacional.

A interação entre os principais dirigentes moçambicanos deve também incidir sobre questões estruturais de âmbito político, económico e social, considera a Sala da Paz.

As organizações da sociedade civil assinalam que os ciclos de violência armada que têm assolado Moçambique são provocados por diferendos em torno dos processos eleitorais, o que impõe a transparência nos escrutínios.

"Os desafios referentes à transparência dos processos eleitorais e a falta de confiança em relação às instituições e atores eleitorais têm sido indicados como algumas das principais razões da ocorrência de conflitos em Moçambique, que quase sempre deflagram logo após o período eleitoral", lê-se no comunicado.

Nesse sentido, prossegue a Sala da Paz, é preciso um compromisso político forte e sincero das lideranças para serenar os ânimos na campanha eleitoral e noutras fases dos escrutínios.

A Sala da Paz considera que o sucesso do acordo vai também depender da implementação efetiva e transparente da Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos militares da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

A adoção de políticas de desenvolvimento e um plano de governação que reflita e responda às aspirações dos moçambicanos será igualmente fundamental.

Aquela plataforma da sociedade civil aponta também que a partilha regular de informações sobre os avanços na implementação dos acordos e a socialização do acordo ao nível das instituições, comunidades e até famílias, de modo a que todos se sintam parte do mesmo e se envolvam na sua implementação, serão fundamentais para o êxito dos entendimentos.

O Acordo de Paz e Reconciliação Nacional foi assinado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e pelo líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

O pacto é o terceiro entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Renamo.

O primeiro foi assinado em 1992 para pôr termo à guerra civil de 16 anos e o segundo foi rubricado em 2014, após confrontos entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, na sequência da recusa do principal partido da oposição em reconhecer os resultados das eleições gerais.
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