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Umaro Sissoco Embaló diz que não vai haver "bagunça" na Guiné-Bissau

Em causa está o pedido de dissolvência da Assembleia Nacional Popular.
Lusa 2 de Outubro de 2023 às 14:45
Umaro Sissoco Embaló, Presidente da República da Guiné-Bissau
Umaro Sissoco Embaló, Presidente da República da Guiné-Bissau FOTO: Reuters
O Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, respondeu esta segunda-feira ao pedido do partido Madem-G15 para que dissolva a Assembleia Nacional Popular dizendo que não vai haver "bagunça" no país.

Questionado pelos jornalistas sobre a posição do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), a que pertence, Sissoco respondeu que é assunto que "cabe às pessoas do Madem, não é problema do Presidente da República".

"É problema deles, mas bagunça é que não haverá neste país", afirmou o chefe de Estado, à margem da cerimónia de abertura da reunião anual dos presidentes dos tribunais de contas da União Económica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA).

O chefe de Estado salientou a importância da Guiné-Bissau receber a reunião anual dos presidentes dos tribunais de contas da UEMOA e apontou a presença na abertura como uma das razões para adiar a presidência aberta anunciada para esta semana.

Umaro Sissoco Embaló disse ainda que outra razão é que o Presidente Erdogan (da Turquia) pretende fazer a entrega à Guiné-Bissau de três embarcações para a fiscalização marítima, ainda esta semana.

"Por isso esta semana não poderei iniciar a presidência aberta, mas brevemente irei anunciar a data", afirmou, esclarecendo que a iniciativa servirá "para sentar com pessoas notáveis das comunidades visitadas, auscultá-las, não é para fazer comício".

A vida política guineense tem sido marada nos últimos dias por um confronto institucional, que começou com as comemorações dos 50 anos da independência da Guiné-Bissau, comemorados, a 23 e 24 de setembro, pela Assembleia Nacional Popular, nas matas do Boé, para recordar o local simbólico onde nasceu o estado nação.

O Presidente da República considerou as comemorações como uma manifestação de um partido, numa referência ao PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e anunciou a data das próximas eleições presidenciais para daqui a dois anos, a 24 de novembro de 2025, afirmando que vai recandidatar-se e apresentando-se como vencedor.

Em reação, o presidente da Assembleia Nacional Popular e do PAIGC, Domingos Simões Pereira, considerou a referência do chefe de Estado (ao partido) "inadequada e inaceitável," e "mal enquadradas" as considerações sobre a data das eleições e de já haver um vencedor antecipado e à primeira volta.

O Madem-G15 pediu a demissão do presidente da Assembleia e justificou a posição alegando que Domingos Simões Pereira não cumpriu o regimento do Parlamento na organização das comemorações.

O grupo parlamentar da coligação no Governo na Guiné-Bissau, Plataforma Aliança Inclusiva (PAI)-Terra Ranka acusou o principal partido da oposição de fabricar crise para dissolver a assembleia eleita há quatro meses.

O Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil também reagiu à polémica e exorta "firmemente os titulares de órgãos de soberania no sentido de se absterem de comportamentos suscetíveis de por em causa a paz, a estabilidade governativa e a vontade popular inequivocamente expressa nas umas".

 

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