Escândalos forçam exílio de Juan Carlos
Rei emérito anuncia intenção de deixar Espanha após suspeitas de branqueamento e evasão fiscal.
O antigo monarca espanhol Juan Carlos informou esta segunda-feira o filho, o rei Felipe VI, de que tenciona abandonar Espanha na sequência das suspeitas de evasão fiscal e branqueamento de capitais de que é alvo. A decisão, sem precedentes, visa proteger a imagem de Felipe e da monarquia, e foi tomada pela Casa Real após fortes pressões do governo e de vários setores da sociedade espanhola.
No comunicado, tornado público pelo Palácio da Zarzuela, Juan Carlos diz que a decisão de deixar Espanha visa "prestar o melhor serviço aos espanhóis e às instituições" na sequência da "repercussão pública que estão a causar certos acontecimentos passados da minha vida privada". "É uma decisão que tomo com profundo sentimento, mas com grande serenidade", acrescenta o rei emérito na carta endereçada ao filho, o qual transmitiu o seu "respeito e agradecimento" pela decisão. Juan Carlos não comunicou em que país tenciona viver, embora Portugal - onde passou parte a infância -, o Dubai ou a República Dominicana tenham sido aventados como hipóteses.
Há vários meses que Felipe VI estava a ser discretamente pressionado pelo governo a cortar todos os laços com o pai. A pressão intensificou-se nos últimos meses, após virem a público mais detalhes sobre a fortuna secreta do antigo monarca na Suíça, incluindo uma doação milionária de 65 milhões de euros que recebeu da Arábia Saudita e que posteriormente transferiu para a conta da ex-amante, Corinna Larssen, numa transação que está a ser investigada pelas autoridades suíças e espanholas por suspeita de branqueamento de capitais e evasão fiscal.
Em março, Felipe VI já tinha tentado distanciar-se dos atos do progenitor renunciando publicamente à herança do pai e cortando a subvenção anual de mais de 200 mil euros que o ex-monarca recebia do Estado espanhol.
SAIBA MAIS
2014
foi o ano em que Juan Carlos abdicou do trono a favor do filho, Felipe, após quase quarenta anos de reinado. Em maio de 2019, após os primeiros rumores de irregularidades, anunciou a sua retirada da vida pública e dos compromissos oficiais.
Retirada de título
Uma das hipóteses que Felipe VI tinha em cima da mesa era a retirada do título de rei emérito ao pai. Em 2015, o monarca já tinha retirado o título de Duques de Palma à irmã, Cristina, e ao genro, Iñaki de Urdangarin, após este ser condenado por fraude.
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