Aliado de Bolsonaro detido por corrupção

Crivella é acusado de envolvimento em esquema montado por empresário, que exigia subornos em troca de negócios com a autarquia.

23 de dezembro de 2020 às 08:27
Marcelo Crivella Foto: Pilar Olivares/Reuters
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O presidente da Câmara do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, aliado do presidente Jair Bolsonaro, foi esta terça-feira preso por corrupção, a nove dias do final do mandato. Crivella foi alvo de uma operação conjunta da Polícia Civil e de um grupo especial do Ministério Público contra a corrupção que levou à detenção de outras seis pessoas, entre elas o conhecido empresário Rafael Alves.

Crivella, que é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e sobrinho do fundador, o bispo Edir Macedo, foi surpreendido pouco antes das seis da manhã por agentes da polícia e procuradores do MP, que foram prendê-lo no elegante condomínio na Barra da Tijuca onde vive.

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O autarca, quatro empresários e um inspetor reformado da polícia foram levados para a Cidade da Polícia, no centro do Rio, onde passaram o dia a ser interrogados antes de, ao final da tarde, serem presentes à desembargadora que ordenou as detenções, para estas serem ou não confirmadas ou transformadas nalgum outro tipo de medida de coação.

Segundo o MP, Rafael Alves, que apesar de não ter cargo algum na edilidade ocupava um gabinete especial num edifício da autarquia, tinha secretários, recebia empresários e nomeava e demitia pessoas para cargos municipais, era o chefe do esquema de corrupção que ficou conhecido como ’Quartel-General da Propina’.

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De acordo com a investigação, com a anuência e participação de Crivella e dos outros detidos, Alves montou na câmara um esquema que exigia avultadas quantias a empresários que queriam fazer negócios com o governo municipal ou tinham somas avultadas a receber do município, e que só eram pagas após o pagamento de subornos.

Nas municipais de novembro passado, Crivella falhou a reeleição, apesar do forte apoio do presidente Bolsonaro, e ia deixar o cargo no fim do mês.

PORMENORES

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Alega perseguição

Ao ser levado de casa pela polícia, Marcelo Crivella disse numa curta declaração aos jornalistas que é inocente, que foi o autarca que mais lutou contra a corrupção no Rio de Janeiro e que estava a ser vítima de uma "perseguição política".

Trocou telemóvel

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Em março, Marcello Crivella já tinha sido alvo de outra operação anticorrupção. Na altura, ao ser forçado pela Justiça a entregar o seu telemóvel à polícia, entregou o aparelho de outra pessoa com um cartão SIM antigo. A manobra só foi descoberta mais tarde.

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