A Esquerda impõe-se nas eleições em Berlim, à frente da CDU de Merz
Ainda não está certo quem conquistou os terceiro e quarto lugares.
O partido A Esquerda saiu este domingo vencedor nas eleições regionais de Berlim, com entre 24% e 25,8% dos votos, contra os 20% da União Democrata-Cristã (CDU) do chanceler alemão Friedrich Merz, segundo as primeiras projeções das televisões públicas alemãs.
No entanto, ainda não está certo quem conquistou os terceiro e quarto lugares.
Enquanto a cadeia ZDF atribui aos Verdes o terceiro lugar com 15,4% dos votos e relega para o quarto lugar a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, com 13,8%, no canal ARD as posições entre esses dois partidos invertem-se.
A ARD atribui à AfD 15,7% dos votos e aos Verdes 15%.
Seguem-se o Partido Social-Democrata (SPD), com 12%, e a Aliança Sarah Wagenknecht (BSW), de esquerda populista, com 5%, em ambas as emissoras.
A candidata da Esquerda, Elif Eralp, comemorou a vitória agradecendo aos eleitores de Berlim e anunciando a sua intenção de tornar Berlim um lugar melhor.
"A partir de hoje, vamos mudar a nossa Berlim e torná-la um lugar melhor. Agradeço a vossa confiança, também ao meu partido e a todos aqueles que nos apoiaram", acrescentou.
Na sequência das eleições repetidas de 2023, a CDU, que na altura venceu, e o SPD governaram em conjunto.
Anteriormente, desde 2021, existia uma coligação liderada pelo SPD e da qual faziam parte A Esquerda e os Verdes.
Eralp pode tornar-se a primeira presidente da Câmara de Berlim do partido A Esquerda, mas, para tal, terá de chegar a um acordo de coligação com os Verdes e o SPD.
Seria uma vitória histórica numa cidade onde, desde a reunificação, a CDU e o SPD se têm alternado sempre como os partidos mais votados.
Um dos pontos críticos nas negociações é a proposta do partido A Esquerda de expropriar consórcios imobiliários que possuam mais de 3.000 apartamentos, o que é rejeitado pelo SPD.
O candidato da CDU, Stefan Evers, afirmou que era preciso aceitar o resultado "com humildade", mas salientou que se sentia satisfeito por ter conseguido travar a tendência descendente que os conservadores vinham a registar nas sondagens.
"Sei que muitos de vós teriam desejado um resultado melhor. Mas conseguimos lutar contra o vento, muito obrigado", acrescentou.
O candidato do SPD, Steffen Krach, felicitou A Esquerda e reconheceu que o resultado não poderia deixar ninguém satisfeito dentro do seu partido, tendo-o qualificado de "catastrófico".
"Não é uma noite de júbilo, é um resultado catastrófico para o SPD. Lutámos, mas não conseguimos convencer os eleitores do SPD", afirmou.
"É um antes e um depois para o SPD em Berlim. O SPD tinha sido tradicionalmente o partido de Berlim. Já não o é", concluiu.
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