A LUTA NA FLORIDA

A 17 dias das eleições de 2 de Novembro, George Bush e John Kerry preparam-se para as batalhas duríssimas, com muitas deslocações nos Estados em que os votos estão mais divididos.

17 de outubro de 2004 às 00:00
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John Kerry está no Iowa e George Bush passa o fim-de-semana na Florida, um dos Estados mais importantes nesta altura, já que tem 27 votos eleitorais (o maior número dos Estados indecisos) que podem dar a vitória como aconteceu em 2000. De resto, os chamados ‘swing states’. Os Estados em que a vitória não é segura para Kerry ou Bush, já são menos de uma dúzia. O que torna a competição ainda mais dura.

Ambas as campanhas têm previstos incontáveis eventos nestes Estados durante os próximos dias, nomeadamente baterias de telefonemas para os eleitores de modo a que vão votar e no candidato certo.

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Não há memória de campanha tão discutida e por isso as notícias têm todas a ver com um sobreaquecimento emocional. Mas a Florida é de uma importância crucial e o voto por antecipação começa já amanhã. Em muitos Estados ­ e particularmente na Florida ­ é possível votar antes do dia 2 por quaisquer razões. E depois de Bush ter ganho em 2000 por pouco mais de 500 votos e milhares de boletins não terem sido devidamente contados, o esforço das candidaturas neste Estado é enorme.

Três elementos que pertencem ao Congresso federal lançaram uma campanha de voto em nove cidades que, na verdade, se tornou uma forma de apelo ao voto em Kerry, até porque conta com o apoio da candidatura democrata e do ‘Black Congressional Caucus’, a mais importante organização política de negros. O representante Kendrick Meek disse mesmo: “O voto antecipado é chave para a vitória de Kerry e Edwards neste Estado”.

Cerca de um quinto dos eleitores da Florida são hispânicos ou de ascendência hispânica. Grande parte destes são cubanos, normalmente mais favoráveis aos republicanos, mais duros com o país de Fidel Castro. Mas há já uma larga percentagem de outras origens e esses podem ser conquistados pelos democratas. Nos próximos dias Kerry estará também nesta zona que este ano enfrentou quatro furacões e onde as sondagens mostram que os eleitores apreciaram bem a forma como o governador Jeb Bush (irmão do presidente) lidou com a tragédia.

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Mas os jornais da Florida estão cheios de histórias de iniciativas de negros e hispânicos contra os procedimentos eleitorais, que neste Estado vão de máquinas electrónicas de “tocar com o dedo” até à cruzinha e o voto por e-mail. Em Jacksonville, uma das grandes cidades, conta o ‘Miami Herald’, há muitas queixas por só haver um único sítio para o voto antecipado e no centro da cidade, o que torna difícil, para muitos negros, irem lá. E no dia da eleição não é nada seguro que apareçam.

TERESA ENTREGA 800 MIL DÓLARES AO FISCO

Teresa Heinz Kerry, mulher do candidato democrata à presidência dos EUA, pagou o ano passado cerca de 800 mil dólares (641 mil euros) de impostos sobre um rendimento declarado de 5 milhões (mais de 4 milhões de euros). Esta revelação da declaração de impostos foi iniciativa de Teresa, que após pressões nesse sentido, aceitara o desafio em Maio passado. O documento, que é apenas uma revelação parcial da declaração de impostos da milionária, mostra que ganhou em 2003 cerca de 13 vezes mais que o marido, John Kerry. Este, que divulgou a sua declaração fiscal em Abril, pagou ao Fisco ‘apenas’ 90 575 dólares (72 611 euros) sobre um rendimento de 395 mil dólares (316 659 euros). Teresa, que por lei não era obrigada a fazer a revelação, pois não é candidata a um cargo público, considera ter conseguido um meio-termo entre “a preservação da privacidade familiar e os pedidos da Imprensa para obter informações adicionais”.

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