A vitória anunciada de Cristina Kirchner

A esposa do ainda presidente Nestor Kirchner deverá hoje ser eleita, à primeira volta, para suceder ao marido, revelam oito sondagens divulgadas na sexta-feira. Cristina Kirchner poderá mesmo, segundo alguns estudos, obter 25 pontos percentuais de vantagem sobre a rival mais próxima, a candidata de centro-esquerda Elisa Carrio. A vitória da primeira-dama pode, no entanto (revelam igualmente as sondagens), ser ensombrada por uma elevada taxa de abstenção.

28 de outubro de 2007 às 00:00
A vitória anunciada de Cristina Kirchner Foto: Marcos Brindicci/Reuters
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Em nove estudos de opinião apenas um prevê a possibilidade de uma segunda volta (a realizar a 25 de Novembro). Os restantes dão conta de intenções de voto em Cristina entre 41,7 e 49,5 %, contra apenas 17 a 23,5% para Carrio. Isso significa haver grande probabilidade de uma vitória imediata, pois, à luz da lei eleitoral argentina, uma vitória com apenas 40% dos votos equivale a maioria absoluta desde que o segundo candidato mais votado fique a pelo menos dez pontos percentuais de distância.

O lado menos agradável da vitória anunciada da senadora é o alheamento do eleitorado. Um estudo recente, realizado na fase final da campanha eleitoral, revela que mais de 70% dos eleitores não está motivado, adivinhando-se que boa parte desse elevado número falte ao escrutínio de hoje.

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O distanciamento face às palavras de apelo dos candidatos justifica-se num país onde, apesar do crescimento económico e do refluxo do desemprego nos anos de poder de Kirchner, persistem desigualdades gritantes e uma inflação que em 2005 superou os 15%.

Outra razão do desinteresse em redor das presidenciais prende-se com o facto de a maioria dos 27 milhões de eleitores argentinos dar como certa a vitória de Cristina. Um voto pela mudança é, nesse cenário, uma palavra apenas e o voto na continuidade afigura-se, sobretudo para os milhões de ‘descamisados’ que ainda vivem no país, um dever pouco gratificante.

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