Aberta investigação criminal em França pela morte de bebé que ingeriu leite Nestlé

Ministério Público especificou que a investigação pretende apurar se o leite ingerido pelo lactente continha a toxina cereulida, uma toxina de origem bacteriana que pode causar problemas intestinais.

22 de janeiro de 2026 às 23:38
Nestlé Foto: Malina Petr/AP
Partilhar

O Ministério Público de Bordéus, em França, anunciou esta quinta-feira a abertura de uma investigação criminal pela morte de um bebé que alegadamente ingeriu, no início deste mês, leite de fórmula da marca Nestlé, noticiaram os meios de comunicação franceses.

O Ministério Público especificou que a investigação pretende apurar se o leite ingerido pelo lactente continha a toxina cereulida, uma toxina de origem bacteriana que pode causar problemas intestinais, como diarreia e vómitos.

Pub

A provável presença desta toxina levou as autoridades francesas a ordenar a retirada de marcas de leite em pó da Nestlé, como Nidal e Guigoz, sendo esta última supostamente ingerida pelo bebé entre 05 e 07 de janeiro.

O bebé, que não tinha duas semanas de vida (nasceu a 25 de dezembro), foi transferido a 07 de janeiro para os serviços de urgência de um hospital nos arredores de Bordéus e faleceu no dia seguinte. A possível presença de cereulida está também na origem da retirada, nas últimas semanas, de leites em pó do grupo francês Danone em Singapura e da multinacional francesa da indústria agroalimentar Lactalis em 18 países, incluindo Espanha e vários da América Latina.

A ONG 'Food Watch' anunciou que apresentará uma denúncia para esclarecer porque é que este leite infantil estava à venda, afirmando que era conhecida a circulação desta bactéria há dois meses. Segundo a 'Food Watch', há "milhões de lactentes em todo o mundo afetados".

Pub

A organização acusou concretamente a Nestlé de "flagrante falta de transparência nas retiradas de produtos de forma gradual desde dezembro". Além disso, denunciou a multinacional suíça por "retiradas silenciosas" em alguns países, nas quais não teria informado o consumidor.

Em declarações feitas em meados de janeiro, o responsável da Nestlé, Philipp Navratil, assegurou que, "até ao momento, nenhum caso de doença" relacionado com os produtos Nestlé foi confirmado e lembrou que a retirada dos leites de fórmula foi "uma medida de precaução". Em todo caso, a Navratil apresentou os seus "sinceros pedidos de desculpa pelo incómodo e perturbações" que a marca possa ter causado a pais, familiares, profissionais de saúde e clientes.

Os ministérios da Agricultura e da Saúde também esclareceram que "neste momento não se demonstrou qualquer ligação de causalidade entre o consumo dos leites infantis afetados e o aparecimento de sintomas nos latentes", numa referência aos produtos da Nestlé e da Lactalis.

Pub

Ambos os ministérios, num comunicado conjunto emitido hoje, assinalaram que os serviços do Estado "estão plenamente mobilizados para um acompanhamento reforçado da situação".

O Governo francês indicou que as investigações realizadas até agora permitiram identificar um ingrediente como fonte da contaminação, "um óleo rico em ácido araquidónico, útil para o bom desenvolvimento dos bebés, produzido por um fornecedor chinês".  

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar