Académico que acusou professor de Cambridge de plágio é suspenso de universidade na Bélgica
Universidade de Ghent declarou que a suspensão do professor, que afirma que a raça está ligada à inteligência, foi decretada enquanto se aguarda uma investigação disciplinar.
Nathan Cofnas, o académico norte-americano que levantou questões de plágio relativamente a Jason Arday - o professor de Cambridge encontrado morto em casa na passada sexta-feira, 14, depois da acusação, anunciou esta quinta-feira que foi suspenso pela Universidade de Ghent, na Bélgica. Cofnas, que se autodenomina "realista racial", adiantou na rede social X que está a ser alvo de uma investigação interna por alegada discriminação.
A suspensão surge na sequência da ampla atenção académica e pública suscitada pelas publicações de Cofnas, nas quais detalhava o alegado plágio na tese de doutoramento de Arday, de 2015. Arday, que foi nomeado o mais jovem professor negro de Cambridge em 2023, negou qualquer má conduta académica intencional, mas demitiu-se dos seus cargos pouco antes da sua morte em Londres.
I was just suspended by Ghent University. They will almost certainly fire me.
— Nathan Cofnas (@nathancofnas) August 20, 2026
The decision was made by rector Petra De Sutter, a former leader of the Green Party.
De acordo com a BBC, Cofnas afirmou estar a ser investigado pela Universidade de Ghent "por discriminação contra Arday". A Universidade declarou que a suspensão foi decretada como medida de precaução, enquanto se aguarda uma investigação disciplinar preliminar, recusando-se a fazer mais comentários para garantir a confidencialidade dos procedimentos relativos ao pessoal. Cofnas indicou nas redes sociais que espera ser demitido.
Recorde-se que Nathan Cofnas se autodenomina um “realista racial” cuja pesquisa académica se concentra na filosofia da biologia e na ética. Em fevereiro de 2024, publicou um artigo no Substack no qual afirmava que a raça está ligada à inteligência e que, sem iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), não haveria académicos negros em Harvard e que, sob um sistema daltónico, as pessoas negras desapareceriam de quase todas as posições de destaque fora do desporto e do entretenimento.
No mês seguinte, de acordo com o The Observer, uma petição assinada por estudantes e académicos de Cambridge exigindo a sua demissão obteve mais de 1200 assinaturas. Houve protestos contra Cofnas no Emmanuel College e 58 estudantes apresentaram queixas formais.
Cofnas acabou por ser demitido do seu cargo no Emmanuel College em abril de 2024. A instituição alegou que as suas opiniões sobre DEI e questões raciais representavam um desafio aos valores e à missão fundamentais do College.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt