Acordo "ótimo" do Brexit terá poucas chances no Parlamento inglês

Farage prefere novas eleições a este acordo, Corbyn diz que é "ainda pior" do que o que May fez.

17 de outubro de 2019 às 12:49
Acordo "ótimo" do Brexit terá poucas chances no Parlamento inglês
Boris Johnson Foto: Reuters

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Foi com muito orgulho que Boris Johnson declarou nesta manhã de quinta-feira que o seu Governo e a União Europeia tinham chegado a acordo para o Brexit, chamando-lhe "ótimo". No entanto, têm sido mais o que já afirmaram que não estão contentes do que os que estão, antecipando-se dificuldades na aprovação do acordo na Câmara dos Comuns, no próximo domingo. 

Uma hora após o anúncio, já quatro partidos afirmaram estarem contra o acordo atingido, sendo eles o Brexit, de Nigel Farage, o Labour de Jeremy Corbyn, o escocês SNP e o irlandês DUP. Farage, um dos grandes responsáveis por este processo estar a acontecer, afirmou que aquilo que foi acordado "não é um Brexit" e que deveria ser rejeitado no Parlamento. "Preferia um adiamento do Brexit e uma eleição geral a ver este acordo aprovado", apontou o político aos jornalistas.

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Já o trabalhista Corbyn indicou que o acordo negociado por Boris Johnson é "ainda pior" que o alcançado por Theresa May, que foi largamente rejeitado na Câmara dos Comuns. "Este acordo não unirá o país e deve ser rejeitado. A melhor maneira de classificar o Brexit é dar às pessoas a palavra final através de uma votação pública", afirmou o político em comunicado, anunciando a intenção de votar a favor de um segundo referendo caso este seja adicionado ao acordo de Boris Johnson.

Ainda assim, e mesmo que, segundo o mesmo partido, as propostas coloquem em risco a alimentação dos britânicos e os direitos dos trabalhadores e deixem o Serviço Nacional de Saúde britânico à mercê de empresas privadas norte-americanas, Corbyn não irá avançar com uma moção de censura ao atual Governo. 

Fora de Inglaterra o cenário parece ainda mais negativo. Os escocêses do SNP, pela voz da sua líder e primeira-ministra Nicola Sturgeon consideram que este acordo pressupõe uma saída muito mais difícil da União Europeia, com menos direitos para o Reino Unido. "O acordo prevê uma relação muito menos próxima com a União Europeia em assuntos como regras alimentares, proteções ambientais e direitos dos trabalhadores", afirmou Sturgeon, garantindo que os escocêses não o irão aprovar. 

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Para os irlandeses, o problema deste acordo está na confirmação criação de uma fronteira aduaneria no mar da Irlanda, uma bandeira desde sempre defendida pelo Partido Unionista Democrático (DUP). Assim, e porque "nada mudou" o partido continua-se a opor a este acordo. 

Então, quem é que está satisfeito com o documento? Maioritariamente os líderes europeus e os membros do partido conservador. Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, afirmou que o acordo é OK, bem como Juncker, que assim que foi assinado garantiu que este é "justo e equilibrado". Em terras britânicas, o deputado 

Jacob Rees-Mogg afirmou que este é um acordo "muito bom e excitante" e que todos os deputados deveriam ter respeito por ele e aprová-lo no próximo domingo. As probabilidades parecem estar contra ele. Veja o acordo completo do Brexit entre Reino Unido e União Europeia

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