Acordo liberta ‘espião secreto’
Além de Alan Gross, Havana libertou discretamente, na quarta-feira, um agente preso há 20 anos, cuja existência era publicamente desconhecida.
Alan Gross não foi o único espião norte-americano libertado por Cuba na quarta-feira. Longe da fanfarra mediática com que Gross foi recebido em Washington, um segundo agente norte-americano, que passou quase vinte anos preso em Cuba, chegou discretamente aos EUA. O seu nome não foi divulgado e, até esta semana, poucos sabiam da sua existência, mas foi durante anos um dos mais importantes agentes da espionagem norte-americana na ilha de Fidel.
De nacionalidade cubana, este espião foi fundamental no desmantelamento de "numerosas" redes da espionagem cubana nos EUA, incluindo a ‘Rede Vespa’, mais conhecida como ‘os cinco de Cuba’, a que pertenciam os três cubanos libertados quarta-feira por Washington no âmbito do acordo histórico para o reatamento das relações diplomáticas com Cuba.
Além da ‘Rede Vespa’, este agente sem nome desempenhou ainda um papel crucial na identificação e detenção, em 2002, de Ana Belén Montes, uma analista da Agência de Informações da Defesa dos EUA que durante 17 anos espiou para Havana sem ser detetada, e do casal Walter e Gwendolyn Myers, agentes cubanos infiltrados no Departamento de Estado que foram condenados a prisão perpétua em 2009.
O próprio presidente Obama, ao anunciar a sua libertação, confirmou que este agente "foi um dos mais importantes ativos que a espionagem norte-americana teve em Cuba". Como todos os bons espiões, o seu nome provavelmente nunca será conhecido do público.
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