Advogada que atuava no primeiro caso criminal e cliente mortos a tiro à saída de esquadra no Brasil

Quatro homens escondidos pelos capacetes das motas onde seguiam, cercaram o veículo das vítimas e dispararam diversas vezes.

03 de fevereiro de 2024 às 18:05
Polícia brasileira Foto: Ricardo Moraes/Reuters
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Numa execução brutal na via pública e à luz do dia que assustou a normalmente pacata cidade de 20 mil habitantes, uma jovem advogada brasileira, Brenda dos Santos Oliveira, de 26 anos, que atuava no seu primeiro caso da área criminal, e o seu cliente, Janielson Nunes de Lima, de 25, foram assassinados a tiro ao deixarem a esquadra de Santo António, na região agreste do estado do Rio Grande do Norte, no nordeste do Brasil. Brenda e Janielson foram crivados de balas dentro do carro dela a cerca de 500 metros da esquadra de onde tinham acabado de sair.

Quatro homens em duas motas, com os rostos escondidos pelos capacetes e que provavelmente já seguiam o carro de Brenda desde a esquadra, cercaram o veículo e dispararam diversas vezes contra a advogada e o primeiro cliente dela no foro criminal, e ambos morreram ali mesmo, sem possibilidade de lhes ser prestado qualquer socorro. Três familiares de Janielson, que estavam no banco de trás do automóvel, não foram atingidos pela saraivada de tiros, nem se feriram quando o carro de Brenda, desgovernado, colidiu com um autocarro.

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Brenda, que há pouco mais de um ano tinha aberto um escritório de advocacia com uma colega de curso e era especialista em processos laborais, tinha decidido ampliar a sua área de atuação e foi até à esquadra de Santo António para defender Janielson, detido horas antes sob a acusação de ter assassinado um vaqueiro, João Vítor Bento da Costa, de 19 anos, durante uma festa de gado dois dias antes. Minutos antes de ser assassinada, Brenda publicou no seu Instagram uma foto tirada dentro da esquadra, com a legenda "mais uma pessoa que é acusada só com base no disse me disse", aludindo ao facto de contra Janielson haver apenas denúncias contra ele nas redes sociais, sem qualquer prova real de que fosse o autor da morte do vaqueiro.

Exatamente pela ausência de provas ou indícios concretos, o delegado (inspetor) Thyago Batista anulou a detenção de Janielson e permitiu que ele deixasse a esquadra com Brenda, convencido pelos argumentos da jovem advogada da fragilidade das denúncias contra o cliente dela. Os dois sairam, aliviados e felizes com o que fora o primeiro êxito dela na nova área, entraram no carro de Brenda com os familiares de Janielson mas não conseguiram ir muito longe, pois foram cercados e atacados ainda na mesma rua pelos assassinos.

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