Ali Khamenei contrariou os EUA desde jovem, o "inimigo número um" que terá ditado a sua morte
Líder supremo do Irão terá sido morto, este sábado, num ataque levado a cabo pelos EUA e Israel.
Líder supremo do Irão desde 1989, Ali Khamenei terá sido morto, este sábado, aos 86 anos num ataque levado a cabo pelos EUA e Israel, segundo a informação revelada por Israel, que indica que o corpo foi encontrado nos escombros.
O Ayatollah - nome utilizado para designar o líder religioso de mais alto nível entre os muçulmanos xiitas - detém a autoridade máxima sobre todos os ramos governativos, militares e judiciais, além de ser o líder espiritual no Irão. Durante o seu governo, Khamenei viveu vários momentos de tensão com os adversários do ocidente e até chegou a chamar aos EUA o "inimigo número um" do Irão. E foi esse inimigo que ditou a sua morte.
Ali Khamenei nasceu em 1939 numa família religiosa e modesta em Mashhad, uma cidade no leste do Irão. Em jovem cresceu nos anos que antecederam a revolução de 1979 que derrubou a monarquia do Xá Mohammed Rezi Pahlevi, o autocrata apoiado pelos países ocidentais, tornando o país numa república islâmica, explica o jornal Al Jazeera.
Durante este tempo foi preso inúmeras vezes pelos serviços norte-americanos que apoiavam o Xá Mohammed Rezi Pahlevi e ao longo do tempo acabou por subir na hierarquia da oposição religiosa enquanto aliado do Ayatollah Ruhollah Khomeini, que liderou a revolução e fundou a República Islâmica do Irão.
Khamenei esteve no coração da República Islâmica desde a Revolução Iraniana, desempenhando um papel importante na militarização do estado e consolidação do autoritarismo do líder supremo.
Rapidamente, Khamenei tornou-se um dos tenentes mais fiéis do novo regime, inclusive chegou a ser presidente durante grande parte dos anos 80. Quando Khomeini morreu em 1989, Khamenei já era um Ayatollah e subiu rapidamente para líder supremo. O seu objetivo era consolidar o controlo do aparelho político e militar, reprimindo a dissidência para reforçar a sua posição e influência.
Um dos pontos principais da tensão com o ocidente residia no programa nuclear do Irão. Khamenei alegou em vários momentos que o país nunca iria produzir armamento nuclear e que o programa servia apenas objetivos civis. Contudo, Trump e Netanyahu defendiam o oposto, mesmo sem provas dos serviços de inteligência dos EUA nem da agência nuclear da ONU.
Em junho, durante a guerra dos 12 dias entre os EUA, Israel e Irão, o ministro da Defesa israelita Israel Katz disse que "Khamenei não podia continuar a existir".
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