Aliados deixam Berlusconi

Alguns dos principais aliados de Silvio Berlusconi procuraram ontem distanciar-se da postura belicosa e pouco democrática do primeiro-ministro italiano, afirmando que não existem razões para alegar fraude nas eleições legislativas e que a recontagens de votos por ele exigida muito provavelmente não alterará o resultado, que foi a vitória da oposição de centro-esquerda liderada por Romano Prodi.

14 de abril de 2006 às 00:00
Partilhar

“Sempre existiram verificações dos resultados eleitorais, mas não acredito que estas venham alterar os resultados das eleições”, afirmou o líder da União dos Democratas Cristãos, Lorenzo Cesa, um dos principais aliados do primeiro-ministro, tentando desdramatizar a exigência de recontagem dos votos feita por Berlusconi depois de ter perdido as eleições para a oposição por escassa margem – apenas cerca de 25 mil votos na Câmara dos Deputados.

Também Ignazio La Russa, dirigente da Aliança Nacional, outro dos partidos que fazem parte da coligação de centro-direita liderada por Berlusconi, veio a público distanciar-se das acusações de fraude feitas pelo primeiro-ministro. “Não vi qualquer indício de fraude. Ouvi falar de algumas irregularidades graves, mas isso não é novidade. Isso acontece em todas as eleições”, afirmou La Russa.

Pub

Os tribunais começaram ontem a verificar cerca de 43 mil votos contestados, mas Berlusconi exige que sejam recontados cerca de um milhão de votos dados como nulos. Ora, a lei italiana apenas permite a recontagem imediata dos votos oficialmente registados como contestados, ou seja, os 43 mil que já estão a ser verificados. No entanto, segundo a Imprensa italiana, Berlusconi não parece disposto a desistir assim tão facilmente e estará a ponderar a possibilidade de, enquanto primeiro-ministro ainda em exercício, aprovar um decreto ordenando uma recontagem dos votos em larga escala.

“Ele não sabe perder, não consegue admitir que nós ganhámos. Nunca o fará, é incapaz de admitir a verdade”, afirmou Prodi, que se mostrou tranquilo e afirmou que tudo deverá passar “ em alguns dias”.

IMPÉRIO MEDIÁTICO PARA OS FILHOS

Pub

Silvio Berlusconi está a estudar a possibilidade de transferir o seu império mediático para os filhos, na sequência da vitória da oposição (que ele ainda não reconheceu) nas eleições legislativas de domingo e segunda-feira.

Segundo o jornal ‘Corriere della Sera’, o primeiro-ministro procura, desta maneira, escapar às acusações de conflito de interesses que muito provavelmente recairiam sobre ele se a oposição aprovasse a prometida lei reguladora para o sector da Comunicação Social.

Ainda de acordo com o jornal, que cita uma fonte próxima de Berlusconi, o primeiro-ministro deverá transferir a sua quota de 38 por cento do império televisivo Mediaset para os seus cinco filhos, mas a filha mais velha, Marina, presidente da Fininvest, e o filho Piersilvio, vice-presidente da Mediaset, deverão receber a ‘parte de leão’, comparativamente aos outros três irmãos, filhos do segundo casamento de Berlusconi, que não detêm qualquer cargo executivo no império mediático do pai.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar