Aliança da UE para identificar produtos químicos essencias dominada por setor

Foi criada pela Comissão Europeia para garantir a autonomia estratégica, resiliência e competitividade da indústria química na União Europeia.

06 de julho de 2026 às 00:06
Sede da Comissão Europeia, Bruxelas Foto: DR
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As organizações europeias de transparência e ambiente acusaram este domingo a Aliança para Produtos Químicos Críticos, criada por Bruxelas para identificar moléculas vitais para a economia europeia, de ser dominada pela indústria.

Num relatório conjunto, o Observatório Corporativo da Europa e o Gabinete Europeu do Ambiente sublinham que o trabalho da aliança negligencia a questão da desintoxicação e a redução da utilização de combustíveis fósseis por esta indústria.

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As duas organizações não-governamentais (ONG) exigem que qualquer financiamento público para a iniciativa esteja sujeito a condições rigorosas, como não apoiar a produção de produtos químicos nocivos.

"A Aliança para Produtos Químicos Críticos está a avançar a um ritmo acelerado, com muito pouca fiscalização pública, e foi capturada por interesses corporativos", afirmam no documento.

A aliança foi criada pela Comissão Europeia para garantir a autonomia estratégica, resiliência e competitividade da indústria química na União Europeia.

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Serve essencialmente para classificar quais as produções e moléculas químicas que são vitais para a economia europeia e setores estratégicos, como a saúde, a eletrónica, a energia e a defesa, mas também para avaliar quais delas podem beneficiar de uma maior monitorização e apoio comercial.

As ONG criticam o facto de este trabalho estar a ser liderado por grandes empresas do setor, que, juntamente com as associações industriais, detêm a maioria no comité diretivo e nos grupos de trabalho da Aliança, enquanto as empresas mais pequenas e inovadoras têm pouca voz e as organizações civis "foram marginalizadas" neste processo.

Os membros da aliança incluem 124 empresas, 86 associações comerciais, 20 autoridades públicas regionais e 20 nacionais, 13 organizações da sociedade civil, nove universidades e seis sindicatos, enumeram.

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Gigantes como a BASF, Evonik, INEOS, Syensqo, TotalEnergies e Repsol são intervenientes-chave no processo, que, de acordo com o relatório, é liderado em particular pela CEFIC, a associação europeia da indústria química.

"A Comissão [Europeia, liderada por Ursula] von der Leyen está a procurar um programa de 'competitividade' e 'desregulação' que carece de base empírica suficiente e das consultas necessárias, e que dá prioridade às exigências de curto prazo dos grupos de 'lobby' empresarial em detrimento das necessidades das pessoas, do ambiente e do futuro", apontam.

As ONG exigem uma mudança de rumo e pedem que qualquer financiamento público para a indústria seja condicionado ao combate à "crise climática e poluição", por exemplo, negando apoio à produção de produtos químicos nocivos.

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