Amnistia pede ação internacional para travar mortes e impunidade
Segundo Mai Sato, pelo menos 5.000 pessoas morreram durante as "revoltas", um número muito superior às 3.117 vítimas mortais reconhecidas pelo Estado iraniano.
A Amnistia Internacional acusou esta sexta-feira as autoridades iranianas de desencadearem uma repressão militar para impedir novas mobilizações e esconder crimes cometidos contra manifestantes, apelando à comunidade internacional para travar "o derramamento de sangue e impunidade".
Numa declaração, a organização de defesa dos direitos humanos, cita o relator especial das Nações Unidas para o Irão, Mai Sato, segundo o qual pelo menos 5.000 pessoas morreram durante as "revoltas", um número muito superior às 3.117 vítimas mortais reconhecidas pelo Estado iraniano.
"É necessária uma ação internacional urgente (...) para quebrar o ciclo de derramamento de sangue e impunidade", apela.
A Amnistia refere que, desde que as manifestações começaram, no final de dezembro, inicialmente para protestar contra a situação económica e que acabaram por apelar à queda do regime, o Governo iraniano tem mantido um corte da internet, "isolando deliberadamente" mais de 90 milhões de pessoas.
Milhares de pessoas foram detidas, incluindo crianças, estudantes, defensores dos direitos humanos, advogados, jornalistas e membros de minorias étnicas e religiosas, segundo a Amnistia Internacional, que denuncia que "desaparecimento forçado, tortura e outros maus-tratos, incluindo violência sexual" sofridos pelos detidos.
As forças de segurança chegaram mesmo a deter pessoas hospitalizadas sob tratamento médico, após invadirem instalações de saúde sem qualquer mandado, descreve.
No comunicado, a organização também alerta que muitos detidos são "mantidos em quartéis militares, armazéns ou outros locais improvisados de detenção sem registo oficial".
A Amnistia afirma ainda que as famílias das vítimas enfrentam pressão e intimidação, além de relatar enterros em massa que não foram reportados e outros enterros noturnos realizados sob vigilância das forças de segurança.
A organização acusa também as autoridades de extorquir dinheiro às famílias para recuperar os corpos dos seus "entes queridos" e de as pressionar a declarar publicamente que os seus familiares falecidos eram membros da milícia e não manifestantes.
Segundo a Amnistia, o país vive sob controlo militar, com patrulhas armadas, recolher obrigatório noturno e proibição de reuniões nas ruas de duas ou mais pessoas.
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