Analistas dizem que descontentamento com situação económica na Hungria beneficia opositor Tisza

Entre 2022 e 2024, o país - liderado há 16 anos pelo Fidesz, do primeiro-ministro ultraconservador Viktor Orbán - registou uma das taxas de inflação mais elevadas da União Europeia, com o pico a atingir os 25%.

11 de abril de 2026 às 13:14
Viktor Orbán Foto: Geert Vanden Wijngaert/AP
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Analistas consideram que a situação económica na Hungria, marcada por estagnação e baixos salários, está a criar descontentamento entre os húngaros, beneficiando o partido da oposição Tisza, que lidera as sondagens para as eleições legislativas de domingo.

A Hungria, considerada o país mais corrupto e um dos mais pobres da União Europeia, "tem enfrentado um elevado aumento do custo de vida e um desenvolvimento económico muito lento há vários anos, e o Governo não cumpriu as suas promessas económicas", refere a organização não-governamental (ONG) Comité de Helsínquia Húngaro, numa análise publicada na sua página online.

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Neste contexto, prossegue, "o descontentamento social cresceu significativamente e evidenciou vários problemas, incluindo o estado dos cuidados de saúde, dos transportes públicos e do sistema de proteção infantil".

Isto, resume, "ajudou o partido opositor Tisza [liderado por Péter Magyar] a construir o seu apoio".

No mesmo sentido, um artigo da revista Foreign Policy, publicado em Portugal pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, afirma que "a popularidade de Magyar beneficia da situação económica cada vez pior e da crise do custo de vida na Hungria".

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Entre 2022 e 2024, o país - liderado há 16 anos pelo Fidesz, do primeiro-ministro ultraconservador Viktor Orbán - registou uma das taxas de inflação mais elevadas da União Europeia, com o pico a atingir os 25%.

A economia do país tem também sido afetada pelo congelamento de milhares de milhões de euros de subsídios europeus, devido a preocupações com a corrupção sistémica no país e violações do Estado de Direito.

"A crise económica também está a afetar os eleitores do Fidesz", defendeu, no mesmo artigo, Péter Marki-Zay, autarca e candidato da oposição às legislativas de 2022.

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Após 16 anos de governo de Orbán, "a economia húngara entrou num estado de 'estagnação estável', perdendo a sua capacidade de convergir com os Estados-membros da UE mais desenvolvidos", refere, num artigo, a investigadora Ilona Gizinska, do Centro para Estudos de Leste (OSW, na sigla original), baseado em Varsóvia.

A especialista afirma que o "modelo de crescimento baseado em entradas de capital estrangeiro, exportações e baixos custos laborais permitiu períodos de aceleração -- particularmente na segunda metade da década de 2010 -- mas não se traduziu numa modernização estrutural nem num aumento duradouro da produtividade das empresas nacionais".

Na prática, verificam-se "baixos salários, uma quota decrescente do rendimento do trabalho no PIB e uma persistente diferença de rendimentos em relação à média da UE".

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Em dezembro de 2025, as três principais agências de rating -- Moody's, S&P e Fitch Ratings -- projetavam uma perspetiva negativa para a economia húngara, refletindo riscos fiscais, institucionais e políticos crescentes.

A recessão económica "abriu novos espaços políticos para a oposição, enraizados numa mudança geracional, impulsionada por exigências anticorrupção e aproveitando a crescente frustração económica na sociedade", indica Ilona Gisinka.

"O partido de Péter Magyar -- que procura desmantelar o atual sistema político e económico e restaurar o acesso a fundos congelados da UE -- representa agora um verdadeiro desafio para o campo governante", aponta.

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Cerca de oito milhões de eleitores são chamados a votar no domingo nas legislativas húngaras para escolher os 199 membros do parlamento.

As eleições estão a ser consideradas decisivas, já que a continuidade de Viktor Orbán no poder parece estar ameaçada, com o conservador Péter Magyar (Tisza) a liderar as sondagens.

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