Aplicação provisória de acordo Mercosul divide capitais europeias

Ursula von der Leyen anunciou a entrada em vigor provisória do acordo comercial após ratificação da Argentina e Uruguai.

27 de fevereiro de 2026 às 14:18
Ursula von der Leyen Foto: Direitos reservados
Partilhar

A decisão da Comissão Europeia de aplicar provisoriamente a componente comercial do acordo Mercosul foi esta sexta-feira saudada por Alemanha, Itália e Espanha como um impulso ao crescimento económico, mas foi duramente criticada pela França.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a entrada em vigor provisória do acordo comercial após a ratificação por parte da Argentina e do Uruguai, sublinhando que o processo continuará a decorrer em articulação com as instituições europeias.

Pub

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, considerou o acordo "histórico", afirmando que este é "o momento da Europa" e que empresas e cidadãos de ambos os continentes poderão beneficiar de "maior prosperidade e crescimento acelerado".

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, felicitou Von der Leyen, classificando a aplicação provisória como "um impulso positivo para as exportações" italianas e para o crescimento económico do país.

Tajani anunciou a convocação de um grupo de trabalho sobre comércio para informar as empresas sobre a evolução da situação na América Latina, depois de Roma ter ultrapassado reservas iniciais e manifestado apoio ao acordo, considerando que foram obtidas garantias relevantes para o setor agrícola.

Pub

Em Madrid, o Ministério da Economia indicou que Espanha "apoia" a decisão, com o ministro Carlos Cuerpo a afirmar que, "num mundo cada vez mais incerto, a Europa não se pode dar ao luxo de ficar para trás", defendendo que o acordo constitui um passo para uma União Europeia (UE) "mais autónoma e resiliente".

Em sentido contrário, o Presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a decisão como unilateral e tomada sem aprovação prévia do Parlamento Europeu, acusando a Comissão de assumir "uma responsabilidade muito grande".

Para Macron, trata-se de "uma surpresa desagradável" para a França e "uma má forma de fazer as coisas" em relação ao Parlamento Europeu, sublinhando que a medida aumenta a incerteza entre os agricultores europeus.

Pub

O chefe de Estado francês prometeu ser "intransigente" no respeito pelas regras que regem o comércio agrícola com o Mercosul, defendendo que a União não pode impor exigências rigorosas aos seus produtores e aceitar condições mais brandas para as importações.

A Comissão Europeia recordou que, nos termos dos tratados da UE, o acordo só será plenamente concluído após aprovação do Parlamento Europeu, assegurando que continuará a trabalhar com os Estados-Membros e as partes interessadas para garantir um processo "transparente".

Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo UE-Mercosul criará um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar