Cimeira da NATO na Turquia marcada por críticas de Trump a aliados, apelo de adesão da Ucrânia e protestos da sociedade civil
Primeiro de dois dias marcado por união entre UE e NATO em termos de defesa, enquanto que Trump tece curas críticas aos aliados e afirma que a Gronelândia pertence aos EUA. Isto, ao passo em que Zelensky defende adesão da Ucrânia ao Tratado do Altântico Norte.
A Cimeira da Nato 36ª arrancou esta terça-feira em Ancara, capital da Turquia, no complexo presidencial de Bestepe, com a presença de vários líderes mundiais. Em cima da mesa estão compromissos em matéria de despesas com defesa e o apoio contínuo à Ucrânia. O evento do Tratado do Atlântico Norte decorre até esta quarta-feira, 8, sendo ainda esperados encontros, à margem, entre o chefe de estado norte-americano, Donald Trump, com os homólogos ucraniano e sírio.
À chegada ao aeroporto de Ancara, em declarações aos jornalistas, Trump criticou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e os aliados da NATO, questionando a utilidade de investir na Aliança e lamentando a falta de apoio internacional em conflitos anteriores. O presidente norte-americano reforçou a sua posição de "desilusão", afirmando que os EUA não precisam de ajuda externa.
Em Ancara, Donald Trump reiterou ainda a ideia de que os Estados Unidos deveriam controlar a Gronelândia, contestando a soberania da Dinamarca sobre o território. “Isso prejudicou a minha relação com a NATO, porque a Gronelândia não ajuda a Dinamarca. A Dinamarca não gasta dinheiro para ajudar a Gronelândia. Mas seria uma parte improtante para os Estados Unidos”, afirmou o presidente norte-americanom citado peça Euronews.
Rutte convoca Europa para revolução industrial contra ameaças globais
Num momento decisivo para a segurança do espaço transatlântico, o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, o primeiro a discursar no complexo presidencial de Bestepe, revelou um investimento sem precedentes na base industrial de defesa da Aliança. No último ano, a NATO injetou 37 mil milhões de dólares no reforço da sua capacidade produtiva, expandindo fábricas e espaços de produção que, somados, equivaleriam a mais de 2.000 campos de futebol.
O objetivo é claro e urgente: duplicar a capacidade de produção de munições de artilharia, atingindo a meta de quatro milhões de projéteis anuais até ao próximo ano. No entanto, Rutte reconhece que a Aliança enfrenta um desafio colossal.
Enquanto a NATO se organiza, a Rússia continua a intensificar o seu esforço bélico, alocando quase metade do seu orçamento nacional para alimentar a máquina de guerra que sustenta a invasão na Ucrânia e ameaça a estabilidade em toda a Europa. Já a China continua a modernizar as suas Forças Armadas "sem transparência" e a Coreia do Norte está a expandir o seu programa nuclear e a abastecer a Rússia.
Para Mark Rutte, a resposta a esta pressão não pode ser tímida. O Secretário-Geral sublinhou que, perante a atual conjuntura, é necessária uma mudança de paradigma "de uma revolução industrial de defesa transatlântica. O zumbido das máquinas deve transformar-se num rugido".
O Secretário-Geral foi perentório ao dirigir-se aos Estados-membros e ao setor privado, afirmando que o ritmo de produção atual não é um destino, mas um ponto de partida. Rutte reforçou que a segurança coletiva depende da continuidade do investimento tanto por parte dos governos nacionais como das indústrias, garantindo que a Aliança tenha a capacidade material de deter qualquer ameaça e manter a prontidão necessária para os desafios dos próximos anos.
Zelensky defende adesão da Ucrânia à NATO e combate aos mísseis russos
O segundo a dicursar foi o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que reafirmou que a entrada da Ucrânia na Aliança é um passo lógico e estratégico. Para o líder ucraniano, a integração é um caminho natural para garantir a estabilidade perante a vizinhança constante com a Rússia: "Já nos vemos como parceiros fiáveis e seria apenas natural tornarmo-nos parte de uma comunidade de segurança comum. [...] O facto é que permaneceremos ao lado da fonte do problema, a Rússia, por muito tempo."
Zelensky destacou a Ucrânia como uma potência em inovação militar, revelando que o país possui a capacidade de guerra com drones mais avançada do mundo. O Presidente mencionou o impacto deste poderio no campo de batalha, onde quase 28.000 soldados russos foram eliminados em junho, maioritariamente por drones. "A Ucrânia na NATO é uma fonte de extraordinária capacidade defensiva. [...] Francamente, não nos orgulhamos disto".
O chefe de Estado ucraniano alertou para a principal ameaça que a Europa enfrenta atualmente, salientando a necessidade de autonomia produtiva: "A única coisa que ainda precisamos de fazer aqui na Europa é construir uma defesa forte contra os mísseis balísticos da Rússia. Este é um grande desafio, é verdade. Esta é a última grande vantagem da Rússia."
Zelensky concluiu que a Europa precisa de produzir urgentemente os seus próprios sistemas anti-balísticos e mísseis, sublinhando que, apesar da excelência do sistema Patriot norte-americano, a capacidade de produção atual é insuficiente para satisfazer a procura global.
Costa garante que europeus podem continuar a confiar na NATO
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou em Ancara o compromisso europeu com a autonomia estratégica, garantindo que os Estados-membros estão a cumprir as suas obrigações face aos desafios de segurança. "O que os cidadãos europeus esperam desta cimeira de Ancara é uma mensagem clara de que podem continuar a confiar na NATO para a sua defesa e dissuasão, baseada numa relação transatlântica muito forte", disse o governante.
António Costa reforçou ainda que a Europa está a assumir mais responsabilidades na sua própria defesa perante o atual cenário internacional. O presidente do Conselho Europeu destacou que a prioridade é transmitir tranquilidade aos cidadãos europeus.
Von der Leyen diz que UE quer "preencher lacunas" na indústria de defesa
Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, considerou que uma "Europa forte torna a NATO mais forte" e garantiu que a UE está comprometida em "preencher as lacunas" ainda existentes na indústria de Defesa.
"Por isso é que mobilizámos até 800 mil milhões de euros até 2030 [ao abrigo do programa ReArm Europe], que têm de ser investidos numa base industrial de Defesa forte", referiu, acrescentando que o bloco quer desenvolver mais projetos comuns com a Ucrânia e desenvolver mais aquisições conjuntas entre europeus", rematou a a presidente da Comissão Europeia.
"Queremos o Trump preso": Protestso em Istambul contra a Cimeira da NATO
Milhares de pessoas protestaram em Ancara, onde está a decorrer a 35ª Cimeira da NATO, assim como em Istambul, contra o Tratado do Atlântico Norte. Empunhando cartazes e entoando cânticos de revolta, algumas pessoas acabaram detidas pela forças de segurança.
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