Associação refere aumento de casos de violência contra crianças na Guiné-Bissau
Fernando Cá reagia ao caso de uma criança de quatro anos que faleceu a semana passada em Bissau.
O responsável de programas da Associação Amigos de Criança (AMIC) da Guiné-Bissau, Fernando Cá, disse esta quinta-feira à Lusa que houve um aumento de violência contra menores e que as mulheres são as principais autoras do fenómeno.
Fernando Cá reagia ao caso de uma criança de quatro anos que faleceu a semana passada em Bissau, alegadamente devido a maus tratos infligidos pelos tios.
A criança, do sexo feminino, veio do interior para Bissau para ser educada, mas os vizinhos da casa onde morava, no bairro de Gabuzinho, relataram à AMIC que sofria de maus tratos.
O tio e a tia da criança foram detidos pela Polícia Judiciária que encaminhou o processo para o Ministério Público, explicou Fernando Cá.
O responsável de programas da AMIC adiantou que "quase todos os dias" chegam denúncias de situações de violência contra crianças "um pouco por toda a parte", sendo que, a maioria de situações são perpetradas por mulheres, enfatizou.
"Dados estatísticos da AMIC apontam que mais de 80% de casos de violência física contra crianças são provocados por mulheres que queimam as mãos da criança porque furtou algo, queimam o sexo da criança porque faz chichi na cama, batem na criança porque faltou à escola", apontou Fernando Cá.
O responsável disse que os homens quando se envolvem em situação de violência contra a criança, "regra geral" é no caso de casamento forçado, onde, esclareceu, "são chamados a ajudar a amarrar a rapariga para ser açoitada".
Fernando Cá adiantou que até ao mês de maio deste ano, a AMIC recebeu 44 denúncias de situações de maus tratos contra crianças e mulheres, um fato que disse ser motivado pela tomada de consciência das pessoas, a partir de campanhas de sensibilização em curso por parte de organizações da sociedade civil.
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