Astrofísicos descobrem possível primeira 'lua' fora do Sistema Solar
Novo corpo celeste, a que a equipa de astrofísicos deu a designação de 'exossatélite', orbita uma anã castanha.
Astrofísicos descobriram o que poderá ser a primeira 'lua' fora do Sistema Solar, a orbitar não um planeta, mas uma anã castanha, um corpo celeste demasiado massivo para ser um planeta e demasiado pequeno para ser uma estrela.
A descoberta foi esta quarta-feira divulgada pelo Observatório Europeu do Sul (OES), que opera o telescópio VLT, no Chile, com que foram feitas as observações.
O novo corpo celeste, a que a equipa de astrofísicos deu a designação de 'exossatélite', orbita uma anã castanha, que por sua vez orbita a estrela 'CD-35 2722', com cerca de metade da massa do Sol.
"O exossatélite é claramente massivo o suficiente para ser um planeta, mas não orbita uma estrela [como os planetas], embora orbite um objeto que, por sua vez, orbita uma estrela. O facto de se encontrar no terceiro nível neste sistema [estelar] leva-nos a querer identificá-lo como uma lua, mesmo que não se pareça em nada com as pequenas luas rochosas que vemos no Sistema Solar", afirmou, citado em comunicado do OES, o autor principal do estudo, Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales, no Chile.
Há anos que os astrónomos tentam confirmar, sem sucesso, a existência de satélites naturais fora do Sistema Solar.
A sua deteção noutros sistemas planetários "pode ajudar a compreender melhor quão diversas podem ser a sua formação e evolução", salientou o OES, organização astronómica da qual Portugal é Estado-membro.
"O satélite que parece termos identificado é um corpo gasoso gigante que orbita um companheiro de massa elevada que, por sua vez, tem várias vezes a massa de Júpiter", adiantou outra autora da investigação, Alice Zurlo.
O novo objeto celeste tem pelo menos a mesma massa de Júpiter, maior planeta do Sistema Solar, enquanto a anã castanha tem mais de 30 vezes a massa de Júpiter.
Os cientistas foram alertados para a presença do novo corpo celeste quando detetaram pequenas oscilações na anã castanha.
Os resultados da descoberta foram publicados na revista científica Nature.
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