Aventura de 10 dias da Missão Artemis termina já de olho no próximo voo
Quatro astronautas a bordo da nave 'Orion' regressam esta sexta-feira à Terra. A NASA vai estudar o comportamento do escudo de calor. A próxima viagem está planeada para 2027.
É na próxima madrugada que o primeiro voo tripulado à Lua em mais de 50 anos chega ao fim. Quando forem cerca de 18h07 (horário da Florida, 01h07 de sábado em Portugal continental), a cápsula ‘Orion’, que levou os quatro astronautas rumo ao satélite natural da Terra, vai amarar ao largo de San Diego, na Califórnia.
Quando amararem no Oceano Pacífico, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen serão recebidos por pessoal da NASA e da Marinha dos Estados Unidos. Como de costume, a cápsula utilizará paraquedas para abrandar antes de bater na água. Caso se vire e fique de cabeça para baixo, o sistema de airbags acabará por colocá-la na posição certa. Só depois de estável é que a cápsula será aberta pelas equipas no local. Os quatro astronautas sairão depois deitados e vão ser levados, de barco ou helicóptero, para serem observados pelas equipas médicas.
É nessa altura que começa a fase seguinte do projeto Artemis. Quando recuperar a cápsula (que será retirada da água com recurso a gruas), a NASA vai analisar, entre outros, o comportamento do escudo de calor, que será submetido a temperaturas altíssimas na reentrada da nave. Este componente está construído para suportar quase 3000 ºC. É a única parte da cápsula desenhada para proteger a tripulação nesta altura. E, ao contrário do que acontece com outros sistemas, não há qualquer redundância ou plano B. Ou seja: não podem existir falhas no escudo de calor.
O plano da NASA é que o próximo voo deste projeto aconteça em meados de 2027. A intenção inicial era que fosse já com tripulação a bordo, mas a agência espacial norte americana repensou o plano. Dentro de um ano, devem ser feitos testes na órbita terrestre com os propulsores da Space X e da BlueOrigin, que serão parte da missão Artemis. Só em 2028 é que a NASA planeia voltar a colocar astronautas em solo lunar.
E TAMBÉM
Escudo de calor falhou
Na primeira missão do projeto Artemis, o escudo de calor da nave gerou consternação. Feito para aguentar temperaturas altas, este componente acabou por se decompor mais do que o esperado. A causa foi descoberta depois: o escudo não era poroso o suficiente. Isso levou a que vários gases ficassem presos e acabassem por degradá-lo e quebrá-lo.
Missão repensada
O plano inicial era colocar humanos em solo lunar já em 2027. No entanto, atrasos na produção dos propulsores associados à missão (nomeadamente o ‘Starship’, da SpaceX) e a incerteza do escudo de calor da cápsula levaram a mudar os planos. Os humanos devem agora regressar ao satélite natural da Terra em 2028, no quarto voo da missão Artemis.
Pormenores da reentrada ultimados no Espaço
O último dia totalmente no Espaço foi passado, na sua maioria, a ultimar pormenores para o regresso dos astronautas.
Depois de, na véspera, terem pilotado a nave de forma manual e de terem testado a construção de um abrigo de radiação (que servirá para, em missões futuras, abrigar a tripulação de eventuais tempestades solares), o dia desta quinta-feira foi passado a estudar.
A cerca de 24 horas do regresso a casa, os astronautas passaram em revista os processos para a reentrada na Terra e, consequentemente, para a amaragem. A bordo da cápsula ‘Orion’, os viajantes espaciais testaram também os chamados ‘trajes de compressão’. No fundo, são roupas destinadas a serem vestidas antes da reentrada, para tentar atenuar o enjoo e as tonturas causadas pelo regresso a casa.
O dia desta sexta-feira, marcado sobretudo pelo regresso, será passado a arrumar a cápsula. Será também a altura de os quatro astronautas voltarem a vestir os seus fatos espaciais cor de laranja, que utilizaram aquando da descolagem. Será também feita a última separação de módulos: aquele em que os astronautas seguem separa-se do chamado ‘módulo de serviço’ (que, no fundo, tem componentes como painéis solares e serve, entre outros, para armazenar água). Há depois uma manobra para reorientar a nave, colocando o escudo de calor (que está na base da cápsula) para a frente, de modo a preparar a entrada na atmosfera.
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