Bangladesh começa carregamento de combustível na sua primeira central nuclear
Construção da central começou em 2017, com um custo estimado em mais de 9.420 milhões de euros.
O Bangladesh começa esta terça-feira o carregamento de combustível à base de urânio na sua primeira central nuclear, uma etapa-chave para a entrada em funcionamento desta instalação de 2.400 megawatts, destinada a aliviar uma rede elétrica sob forte pressão.
"A reação em cadeia de fissão nuclear controlada será desencadeada no núcleo do reator, assim que o carregamento do combustível estiver concluído", explicou à agência noticiosa France-Presse (AFP) Saikat Ahmed, responsável científico principal da central.
"Isto marca o início da fase de arranque físico", precisou.
Uma vez operacional, a central nuclear de Rooppur -- uma pequena localidade nas margens do Ganges, 175 quilómetros a oeste da capital, Daca -- poderá cobrir até 10% das necessidades de eletricidade deste país do sul da Ásia, com 170 milhões de habitantes, segundo o Governo.
A construção da central começou em 2017, com um custo estimado em mais de 11.000 milhões de dólares (9.420 milhões de euros).
Uma primeira produção de 300 megawatts (MW) é esperada até agosto, antes de a capacidade total ser atingida no final de 2027.
A rede elétrica do Bangladesh é posta à prova todos os verões, quando o calor leva a população a recorrer massivamente a aparelhos de ar condicionado muito consumidores de energia. A situação foi agravada por uma crise energética devido ao conflito no Médio Oriente.
O país importa 95% do seu petróleo e gás, em grande parte desta região, onde os fornecimentos de energia através do estreito de Ormuz têm sido perturbados desde o início da guerra no final de fevereiro.
O ministro da Ciência e Tecnologia bengali, Fakir Mahbub Anam, tinha indicado no início deste mês esperar que a central forneça cerca de 300 MW de eletricidade à rede até agosto. Contudo, o processo exige uma série de testes minuciosos em cada etapa.
"Trata-se de uma fase complexa e delicada, e todos os aspetos relacionados com a proteção e a segurança serão objeto de uma avaliação aprofundada antes do início da produção em plena escala", sublinhou Shafiqul Islam, professor de engenharia nuclear na Universidade de Daca.
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