Berlusconi deixa governo em xeque
Ex-primeiro-ministro exige reforma do sistema judicial e deputados do seu partido ameaçam demitir-se se não for anulada a condenação do líder
O ex-primeiro italiano Silvio Berlusconi reagiu com violência à confirmação, por parte do Supremo Tribunal, da pena de um ano de prisão por fraude fiscal e ameaça derrubar o governo. Solidários, os deputados do seu partido, Povo da Liberdade (Pdl), aumentaram a pressão ao ameaçar demitir-se em bloco se o presidente italiano, Giorgio Napolitano, não conceder um indulto ao líder.
Este ultimato surge depois de, em reunião com as chefias do partido, Berlusconi exigir a reforma do sistema judicial ou a realização de novas eleições. O líder conservador, recorde-se, prometera, antes da decisão do Supremo Tribunal, que a sentença não ditaria a saída do seu partido da coligação governativa.
A ameaça de Berlusconi e dos deputados do Pdl surgiu horas depois de um dos canais de TV do magnata difundir uma mensagem com a reação ao veredicto. ‘Il Cavaliere’ acusou os magistrados de "intromissões na vida política" e conclui: "Em troca de quase 20 anos de dedicação a este país, recebo, no fim da minha vida ativa, uma recompensa de acusações e uma sentença que me priva da liberdade e dos direitos políticos".
Berlusconi continuará a ser senador (a eventual expulsão do Senado só será votada em setembro) e poderá igualmente manter-se na chefia do Pdl. Contudo, na mensagem televisiva anunciou que reativará o Força Itália, com o qual entrou na vida política, em 1994. Resta saber se, após a tomada de atitude dos deputados do Pdl manterá essa decisão.
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