Biologia sintética acelera criação de vacinas

Urgência por soluções e respostas científicas motivada pela pandemia de Covid-19 lança uma nova era na investigação médica.

03 de março de 2021 às 01:30
Foto: REUTERS
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"Com a biologia sintética utilizada contra a Covid-19 pode-se criar qualquer nova vacina em apenas uma semana”, destaca o italiano Rino Rappuoli, especialista em vacinas e investigador da multinacional GlaxoSmithKline (GSK), a propósito do artigo que escreveu na ‘PNAS’, revista da Academia Nacional das Ciências, dos EUA, sobre o pós-Covid.

O contrarrelógio da ciência provocado pela pandemia traduziu-se num salto científico e tecnológico enorme. Rino Rappuoli explica as diferenças: “Antes gastavam-se meses e até anos a fazer culturas de vírus para os utilizar já inativados em vacinas contra a poliomielite e a gripe ou apenas atenuados como acontece com o sarampo e a febre amarela. Na biologia sintética, identifica-se uma porção genética do vírus que seja reconhecida pelo sistema imunitário e encontra-se forma de a pôr a funcionar no organismo das pessoas em risco de infeção.”

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As soluções adotadas, sob a forma ARN mensageiro nas vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna ou de vetor viral inofensivo na AstraZeneca, eram há muito investigadas, mas não se avançava porque tudo corria bem. A Covid-19 e as suas consequências na vida mundial mudaram a situação. As vacinas que demoravam dez anos a concretizar apareceram no mercado em dez meses com um processo simples. Criado e produzido em laboratório, o ARN mensageiro é encapsulado em nanopartículas – em que o prefixo nano significa mil milhões de vezes mais pequeno – e é injetado nas pessoas para neutralizar o SARS-CoV-2. Rino Rappuoli pensa que Pfizer-BioNTech e Moderna não desejam revelar a receita de fabrico das vacinas, mas está convicto num tempo novo: “Com o progresso das tecnologias, um robô poderá criar vacinas ARN mensageiro por ele próprio”.

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