Bolsonaro surpreende e escolhe nome técnico para novo ministro da Educação
Carlos Alberto Decotelli é o terceiro a ocupar o cargo, no curto mandato de um ano e meio de Bolsonaro na presidência.
Surpreendendo positivamente a imprensa, o mundo académico e até assessores próximos, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou na tarde desta quinta-feira o professor Carlos Alberto Decotelli como novo ministro da Educação do Brasil, o terceiro do seu curto mandato de um ano e meio na presidência. O anúncio foi feito pelo presidente através de uma publicação nas suas redes sociais, o meio pelo qual gosta de divulgar as suas opiniões e medidas de maior importância.
Carlos Alberto Decotelli não estava na lista dos cotados para o cargo, alguns dos quais já se tinham até reunido ou conversado telefonicamente com Bolsonaro, que parece ter feito uma escolha pessoal. A surpresa com a nomeação de Decotelli não foi apenas pelo nome mas pelo perfil técnico do escolhido.
Os sectores mais ideológicos do governo Bolsonaro, nomeadamente os filhos do presidente, que costumam ter um peso enorme nas suas decisões, estavam a pressionar fortemente para que o escolhido tivesse um perfil próximo ao do ministro anterior, Abrahan Weintraub, um fanático religioso e radical de direita. Mas o presidente desta feita parece não lhes ter dado ouvidos e escolheu um nome que, apesar de reconhecidamente conservador, é um técnico e um nome respeitado nos meios académicos.
Professor universitário há décadas, Carlos Alberto Decotelli formou-se em Ciências Económicas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, tornou-se mestre na respeitada Faculdade Getúlio Vargas, em São Paulo, fez doutorado na Universidade de Rosário, na Argentina, e pós-douturado na Universidade Wuppertal, na Alemanha. No início do governo Bolsonaro, de Fevereiro a Agosto de 2019, Decotelli foi presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, um dos órgãos mais importantes da pasta que agora vai comandar, mas saiu após a demissão do então ministro, Ricardo Velliz Rodriguez, e a nomeação de Weintraub, que se demitiu quinta-feira da semana passada e fugiu para os Estados Unidos no meio de críticas generalizadas de incompetência e de risco de ser preso no Brasil por declarações racistas e ameaças a juizes.
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