Bolsonaro vai receber coração de D. Pedro com honras de chefe de estado

Coração ficará exposto numa sala especialmente preparada para isso no Palácio do Itamaraty, a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Jair Bolsonaro Foto: Reuters
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O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vai receber esta terça-feira, 23 de agosto, com honras de chefe de Estado o coração do imperador D. Pedro I do Brasil, D. Pedro IV em Portugal. O órgão, preservado em formol, chegou esta segunda-feira a Brasília a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira, FAB, que o foi buscar a Portugal.

Na cerimónia desta terça, Jair Bolsonaro vai comportar-se como se, ao invés de um órgão preservado em formol, recebesse de facto um dignatário, o próprio imperador que declarou a independência do Brasil em sete de setembro de 1822. Tanto que, como faz quando recebe um governante estrangeiro, Bolsonaro descerá a rampa que dá acesso ao Palácio do Planalto, sede da presidência brasileira, e depois subirá novamente a rampa acompanhando o órgão.

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Dentro do palácio, haverá uma cerimónia oficial de homenagem a D. Pedro, onde será enaltecida a sua coragem e o seu amor pelo Brasil, que o fez enfrentar o próprio pai, o rei D. João VI de Portugal, e declarar a independência do país. Há um temor em alguns sectores de que Bolsonaro, que está em plena campanha para a reeleição, aproveite a cerimónia em tom eleitoral e viole o carácter suprapartidário da viagem do coração de D. Pedro ao Brasil para as comemorações dos 200 anos da independência.

A partir de quarta-feira, o coração ficará exposto numa sala especialmente preparada para isso no Palácio do Itamaraty, a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, também em Brasília, até cinco de setembro. Nos dias úteis a visita será exclusiva a escolas previamente credenciadas, sendo aberta ao público em geral aos fins de semana.

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A relíquia permanecerá sob vigilância de agentes da Polícia Federal e militares das Forças Armadas. A previsão é que o coração do primeiro imperador do Brasil regresse a Portugal dia oito de setembro, após os actos oficiais de dias seis e sete assinalando o bi-centenário da independência, para os quais foram convidados Marcelo Rebelo de Sousa e presidentes dos países africanos de língua oficial portuguesa.

Ao chegar esta segunda-feira à base aérea de Brasília, o coração de D. Pedro foi recebido com honrarias e por diversas autoridades. Além de parlamentares e de um representante da família imperial brasileira, estavam na base aérea o embaixador de Portugal no Brasil, Luís Filipe Melo, e os ministros da Presidência, general Luiz Eduardo Ramos, o da Saúde, Marcelo Queiroga, e o da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, que enalteceu em curto discurso a figura e o legado de D. Pedro

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