Bomba em carro de guarda-costas

Gabriel Giner Colás, guarda-costas do vereador socialista basco Juan Carlos Domingo, estava de folga e decidiu passar umas horas num parque perto da sua casa, em Ibaizabal, no bairro de La Peña, próximo do centro histórico de Bilbau.

10 de outubro de 2007 às 00:00
Bomba em carro de guarda-costas Foto: Vincent West / Reuters
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Saiu de casa cerca de 13h30 (12h30 em Lisboa) e tinha percorrido aproximadamente 400 metros quando o carro explodiu, causando-lhe queimaduras de segundo e terceiro graus no rosto e nas mãos e uma ferida nas costas. O ataque não foi reivindicado, mas as autoridades espanholas atribuem-no à ETA.

A bomba-lapa colocada na parte posterior direita do Renault Mégane branco de Gabriel Colás tinha um quilo de amonal e estaria munida de um mecanismo de pêndulo, que provoca a explosão quando a viatura passa por um buraco ou uma lomba.

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Além de ferir gravemente (mas sem risco de vida) o guarda-costas, a explosão causou ferimentos ligeiros a três outras pessoas e danos em contentores e viaturas que estavam nas proximidades. O Renault Mégane ficou completamente queimado.

Numa entrevista à rádio Onda Cero, Mariano Rajoy, líder do PP, adiantou que Gabriel Colás, de 36 anos, era um militante do partido e que se preparava para se mudar para Saragoça, a sua cidade natal. A mãe até se deslocara a La Peña para o ajudar na mudança.

O vereador socialista Juan Carlos Domingo, ‘número dois’ da localidade de Galdácano, mostrou-se “muito impressionado” com o ataque e considerou que ele teria por alvo o seu guarda-costas já que só pontualmente usava o seu carro.

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ALERTA EM MADRID

Este ataque, que parece ser uma resposta à prisão da cúpula do Batasuna por ordem do juiz Baltasar Garzón, ocorreu horas depois de o ministro do Interior espanhol, Alfredo Rubalcaba, ter anunciado o reforço das medidas de segurança, particularmente em Madrid, perante a possibilidade de a ETA atacar no Dia da Festa Nacional, na sexta-feira. “Esta data é especialmente apelativa para a ETA pela sua pretensão de condicionar a agenda política, social e institucional”, justificou.

Recorde-se que após as detenções, Pernando Barrena, porta-voz do Batasuna, advertiu que se avizinhavam “tempos obscuros e novo ciclo de violência”. Rubalcaba considerou que estas declarações ofendem a memória dos espanhóis, incluindo os bascos e os eleitores do Batasuna”. O ministro acusou ainda o Batasuna de não querer a paz.

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- 7 atentados perpetrou a ETA após romper o cessar-fogo, a 5 de Junho de 2007. Seis deles falharam. Apenas conseguiu materializar o ataque contra o quartel de Durango.

- 750 suspeitos da ETA (aproximadamente) foram detidos desde 2000. Quer a Espanha quer a França têm apertado o cerco à organização e já detiveram líderes da cúpula.

TERRORISMO

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A Espanha, os EUA e a União Europeia incluíram a ETA na lista dos grupos terroristas. O braço político da organização, o Batasuna, foi ilegalizado em 2002.

DIÁLOGO

Em finais de Junho, Zapatero anunciou no Parlamento que ia tentar o diálogo de paz. Agora, tal como o juiz Garzón, o governo acusa a ETA de não querer a paz.

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