Brasil consegue 30 dias para negociar tarifas com os EUA
Encontro entre os dois líderes das duas maiores democracias do ocidente aconteceu após um ano tenso da política de tarisfas dos EUA sobre o Brasil.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou esta quinta-feira que propôs ao presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, um prazo de 30 dias para avançar nas negociações comercias sobre tarifas.
Segundo descreveu, Donald Trump aceitou a proposta brasileira para que as equipas dos dois países formem um grupo de trabalho para discutir as diferenças nas cobranças de impostos e, caso necessário, que cada lado reduza as suas taxas.
"Eu sugeri ao Trump para que a gente colocasse os nossos ministros para, em 30 dias, resolver esse problema, para nós decidirmos o que vai acontecer. E eu acho que vai terminar bem no acordo Brasil e EUA na questão comercial", explicou
Lula disse que explicou ao homólogo que os EUA tiveram superavit comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, e que no último ano, "o Brasil registou um 'deficit' de 14 bilhões de dólares" na relação comercial com o país norte-americano.
"Eles sempre acham que cobramos muitos impostos. Nós dissemos a eles que a média das tarifas cobradas sobre produtos americanos é de apenas 2,7%. Mas eles continuam argumentando que há casos em que alguns produtos chegam a ter taxa de 12%", destacou.
O político brasileiro disse ainda que o Brasil está disposto a fazer concessões, caso o país perceba que esteja errado na discussão relacionada a tarifa.
"Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder", declarou Lula em conferência de imprensa em Washington após três horas de reunião com Trump.
O político brasileiro desembarcou em Washington na noite de quarta-feira acompanhado dos ministros de Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Fazenda, Dario Durigan, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias.
Completam a comitiva ainda o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, além do chefe da Polícia Federal brasileira, Andrei Rodrigues.
As autoridades brasileiras e norte-americana discutiram comércio bilateral, tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros, cooperação transnacional no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, e sobre os minerais críticos e terras raras.
Lula da Silva declarou ainda que saiu muito satisfeito da reunião e disse que aconselhou o presidente Trump a sorrir para as fotos oficiais, e que a reunião demorou porque os dois estavam gostando.
"Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática e histórica que o Brasil têm com os Estados Unidos", declarou Lula em conferência de imprensa.
O encontro entre os dois líderes das duas maiores democracias do ocidente aconteceu após um ano tenso da política de tarisfas dos EUA sobre o Brasil e atritos diplomáticos entre os dois países.
Quem também se mostrou satisfeito com o encontro foi Donald Trump, que usou as suas redes sociais para elogiar Lula da Silva ao chamá-lo de "muito dinâmico" e dizer que a reunião entre os dois correu bem.
"A reunião foi muito boa. Nossos representantes devem se reunir para tratar de alguns pontos-chave. Novos encontros serão marcados nos próximos meses, conforme necessário", diz mensagem publicada por Trump.
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