15 meninas e mulheres sofrem violações coletivas por dia nos últimos três anos no Brasil

Entre 2022 e 2025, pelo menos 22.800 meninas e mulheres foram violadas por dois ou mais criminosos sexuais no Brasil.

Brasil teve 15 violações sexuais colectivas por dia nos últimos três anos Foto: Direitos Reservados
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Pelo menos 15 meninas e mulheres são vítimas de violação sexual em grupo no Brasil a cada dia, todos os dias, numa tragédia de terríveis consequências para as vítimas mas que acontece de forma silenciosa por medo de represálias. Os dados foram recolhidos e divulgados pelo Sinan, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, órgão ligado ao Ministério da Saúde brasileiro.

De acordo com esse levantamento, entre 2022 e 2025, pelo menos 22.800 meninas e mulheres foram violadas por dois ou mais criminosos sexuais. Desse total de vítimas, acrescenta o estudo, 8,4 mil eram mulheres adultas, e 14,4 mil eram crianças ou adolescentes.

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Esses são os dados de que o Ministério da Saúde dispõe, mas o próprio órgão reconhece que estão muito longe de serem exatos, sendo a realidade muito maior e mais dramática. Muitas vítimas, talvez a maior parte delas, não torna pública a agressão sexual que sofreu, por vergonha, por medo do julgamento do seu círculo mais próximo e receio dos agressores, quase sempre pelo menos um deles conhecido.

Recentemente, o Brasil ficou chocado com o caso de uma adolescente de 17 anos atraída por um colega de escola para um apartamento no elegante bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, e depois violada brutalmente por ele e outros quatro homens que estavam escondidos no local e que além de a violarem a espancaram. Como todos os envolvidos pertencem a famílias abastadas, sendo um dos criminosos filho de um secretário de governo do Rio, demitido após o crime, esse caso ganhou muita repercussão, mas situações semelhantes acontecem todos os dias de forma silenciosa e em número muito maior em comunidades pobres e periféricas das grandes cidades brasileiras, atingindo principalmente meninas e mulheres negras.

Nos últimos meses também ganharam repercussão outros casos, como o de uma menina de 13 anos violada sexualmente por sete traficantes de droga numa favela também do Rio de Janeiro como punição por eles acharem que ela era namorada de um traficante rival, o que depois se descobriu não ser verdade. Em regiões mais isoladas, como pequenas vilas ou cidades no nordeste e na Amazónia, também se sucedem violações em grupo a crianças e adolescentes sem que na maioria das vezes os agressores sejam punidos, e as vítimas ainda são responsabilizadas por serem bonitas de mais ou usarem roupas curtas.

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