'Brexit' não representou nem colapso, nem renascimento para o Reino Unido

Estudo revela que país continua a destacar-se na economia do conhecimento, tecnologia e "energia limpa".

23 de junho de 2026 às 12:37
Reino Unido
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O 'brexit' não representou nem o colapso, nem o renascimento do Reino Unido, continuando o país a destacar-se na economia do conhecimento, tecnologia e "energia limpa", mas estimando-se um impacto negativo de 2% a 4% no PIB.

Na semana em que se assinam 10 anos desde a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o estudo "Ten Years After Brexit: Resilience Without Revival", da Allianz Trade, conclui que o resultado "tem sido mais matizado do que muitos esperavam", com indicadores a apontar tanto para pontos fortes como para pontos fracos da economia, nem todos relacionados com o 'brexit'.

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Entre os pontos negativos, o trabalho esta terça-feira divulgado cita estudos independentes que estimam que o produto interno bruto (PIB) britânico teria sido 2 a 4% superior sem a instabilidade política e os atritos comerciais provocados pelo 'brexit'.

Regista ainda que, desde 2016, as regiões que votaram a favor da saída "têm, de um modo geral, apresentado um desempenho inferior ao do Reino Unido no seu conjunto", e 59% da população das áreas a favor da saída viu as suas regiões ficarem ainda mais atrás da média nacional do rendimento 'per capita'.

Desde a votação e da saída formal das estruturas económicas do bloco europeu, em 01 de janeiro de 2021, o crescimento tem dependido cada vez mais de trabalhadores estrangeiros, o que impulsionou mais de metade da expansão do PIB.

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O estudo conclui que o 'brexit' "aumentou os atritos e reduziu os fluxos comerciais", sugerindo as estimativas estruturais que, embora a UE continue a ser o maior parceiro comercial do Reino Unido, o comércio de bens com o bloco europeu seja hoje cerca de 21% inferior ao que teria sido sem a saída.

"Os novos acordos comerciais e as cadeias de abastecimento diversificadas com os EUA, a China e os países da Commonwealth não conseguiram igualar a escala dos laços económicos anteriormente mantidos no seio da UE", aponta, indicando que "os ativos do Reino Unido continuam a ser negociados com um desconto em relação aos seus homólogos internacionais".

Os setores da economia do conhecimento, da tecnologia e da "energia limpa" continuam a ser os grandes motores do país.

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"As exportações britânicas de TIC [tecnologias da informação e comunicação] para a UE quase duplicaram desde o 'brexit', demonstrando a competitividade contínua da economia do conhecimento britânica", enfatiza.

O Reino Unido continua a ser o segundo maior exportador mundial de serviços financeiros, com 21% das exportações globais e tendo vindo a aprofundar a oferta de serviços financeiros aos mercados da UE.

Nos mercados privados, o país continua a atrair mais financiamento de capital de risco do que qualquer concorrente europeu: Entre 2020 e 2026, angariou cerca de 164.000 milhões de dólares, refere o estudo.

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Salientando que, desde o 'brexit', Londres "manteve grande parte da sua importância financeira global", o estudo da Allianz Trade detalha que o Reino Unido continua a representar quase 50% da negociação global de derivados de taxas de juro no mercado de balcão e quase 38% do volume de negócios global em câmbios.

Na energia limpa, "emergiu como líder na Europa", com a produção eólica a aumentar 130% desde 2016, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis e permitindo a eliminação gradual e bem-sucedida do carvão em 2024.

Nos mercados, as ações britânicas tiveram um desempenho inferior ao das norte-americanas e europeias na última década, refletindo o maior prémio de risco devido ao contexto de crescentes desequilíbrios orçamentais do país.

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"Uma década depois, a marca do 'brexit' é visível nos dois maiores motores de capital privado do Reino Unido: o capital de investimento e o capital de risco", salienta, precisando que os investimentos no Reino Unido ficaram 12 a 18% abaixo do cenário sem 'brexit' a partir de 2025.

Apresentando o Reino Unido "bons resultados em termos de criação de empresas, flexibilidade do mercado de trabalho, ensino superior e investigação", face a outras economias avançadas, a Allianz Trade conclui que "os estrangulamentos internos --- expostos pelo 'brexit', mas não causados por ele --- estão na origem do desempenho de crescimento dececionante do país".

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