Juncker desmente otimismo de May sobre negociações do Brexit

Presidente da Comissão Europeia diz que "só por milagre" haverá progressos significativos até ao final de outubro.

29 de setembro de 2017 às 10:14
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O presidente da Comissão Europeia disse esta sexta-feira em Talin que só por "milagre" é que haverá até final de outubro progressos suficientes nas negociações com o Reino Unido sobre o 'Brexit' que permitam iniciar a discussão sobre a futura relação.

"Daqui até final de outubro não teremos progressos suficientes, a não ser que aconteça um milagre", disse Jean-Claude Juncker, à entrada para uma cimeira de líderes da União Europeia, na capital da Estónia.

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Juncker pronunciava-se um dia depois de ter sido encerrada, em Bruxelas, a quarta ronda de negociações entre a UE a 27 e o Reino Unido, uma vez mais com progressos tímidos.

Theresa May fala de "progressos significativos"

A primeira-ministra britânica, Theresa May, considerou esta sexta-feira em Talin, que foram feitos "bons progressos" nas negociações entre Reino Unido e União Europeia em torno do 'Brexit', designadamente a nível dos direitos dos cidadãos.

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"Estou satisfeita por as negociações terem conhecido progressos e estou desejosa de desenvolver uma relação profunda e especial com a União Europeia, que considero que não é só do interesse do Reino Unido, mas também da UE", declarou May, à entrada para uma "cimeira digital" de líderes europeus, na capital da Estónia.

As declarações de May contrastam com aquelas proferidas minutos antes pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que, à entrada para a cimeira, estimou que só por "milagre" é que haverá até final de outubro progressos suficientes.

Já a primeira-ministra britânica sustentou que, sobretudo no domínio dos direitos dos cidadãos no pós-'Brexit' (tanto dos cidadãos europeus radicados no Reino Unido, como dos britânicos a residir em Estados-membros da UE) "foram feitos progressos muito bons, e isso ficou claro nas declarações de ontem (quinta-feira) de David Davis e Michel Barnier", os negociadores-chefes de Londres e Bruxelas, no final da quarta ronda de negociações.

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A União Europeia a 27 decidiu desde o início das negociações que só aceita discutir com Londres o quadro do futuro relacionamento, designadamente na área do Comércio, depois de acertados os termos da saída.

Na sexta-feira passada, Theresa May propôs à UE um período de transição de dois anos após a saída do Reino Unido do bloco comunitário, e assegurou que Londres irá contribuir no orçamento europeu até 2020, mas sem avançar com números concretos.

O montante a pagar pelo divórcio pelo Reino Unido, a gestão da fronteira da Irlanda do Norte, os direitos dos cidadãos europeus e britânicos no pós-'Brexit' e as futuras relações comuns são alguns dos principais temas em debate nas negociações.

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O Reino Unido deve deixar a UE a 29 de março de 2019, ou seja, dois anos após o início do processo de divórcio liderado pelo governo conservador de Theresa May. A saída britânica da UE foi ditada por um referendo realizado em junho de 2016.

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