Juncker desmente otimismo de May sobre negociações do Brexit
Presidente da Comissão Europeia diz que "só por milagre" haverá progressos significativos até ao final de outubro.
O presidente da Comissão Europeia disse esta sexta-feira em Talin que só por "milagre" é que haverá até final de outubro progressos suficientes nas negociações com o Reino Unido sobre o 'Brexit' que permitam iniciar a discussão sobre a futura relação.
"Daqui até final de outubro não teremos progressos suficientes, a não ser que aconteça um milagre", disse Jean-Claude Juncker, à entrada para uma cimeira de líderes da União Europeia, na capital da Estónia.
Juncker pronunciava-se um dia depois de ter sido encerrada, em Bruxelas, a quarta ronda de negociações entre a UE a 27 e o Reino Unido, uma vez mais com progressos tímidos.
Theresa May fala de "progressos significativos"
A primeira-ministra britânica, Theresa May, considerou esta sexta-feira em Talin, que foram feitos "bons progressos" nas negociações entre Reino Unido e União Europeia em torno do 'Brexit', designadamente a nível dos direitos dos cidadãos.
"Estou satisfeita por as negociações terem conhecido progressos e estou desejosa de desenvolver uma relação profunda e especial com a União Europeia, que considero que não é só do interesse do Reino Unido, mas também da UE", declarou May, à entrada para uma "cimeira digital" de líderes europeus, na capital da Estónia.
As declarações de May contrastam com aquelas proferidas minutos antes pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que, à entrada para a cimeira, estimou que só por "milagre" é que haverá até final de outubro progressos suficientes.
Já a primeira-ministra britânica sustentou que, sobretudo no domínio dos direitos dos cidadãos no pós-'Brexit' (tanto dos cidadãos europeus radicados no Reino Unido, como dos britânicos a residir em Estados-membros da UE) "foram feitos progressos muito bons, e isso ficou claro nas declarações de ontem (quinta-feira) de David Davis e Michel Barnier", os negociadores-chefes de Londres e Bruxelas, no final da quarta ronda de negociações.
A União Europeia a 27 decidiu desde o início das negociações que só aceita discutir com Londres o quadro do futuro relacionamento, designadamente na área do Comércio, depois de acertados os termos da saída.
Na sexta-feira passada, Theresa May propôs à UE um período de transição de dois anos após a saída do Reino Unido do bloco comunitário, e assegurou que Londres irá contribuir no orçamento europeu até 2020, mas sem avançar com números concretos.
O montante a pagar pelo divórcio pelo Reino Unido, a gestão da fronteira da Irlanda do Norte, os direitos dos cidadãos europeus e britânicos no pós-'Brexit' e as futuras relações comuns são alguns dos principais temas em debate nas negociações.
O Reino Unido deve deixar a UE a 29 de março de 2019, ou seja, dois anos após o início do processo de divórcio liderado pelo governo conservador de Theresa May. A saída britânica da UE foi ditada por um referendo realizado em junho de 2016.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt