Bruxelas pediu à Hungria que esclareça se partilhou documentos da UE com Rússia

Em março, o jornal norte-americano The Washington Post já tinha noticiado que Péter Szijjártó terá informado, durante vários anos, Sergei Lavrov sobre as reuniões do Conselho da UE em que participava.

09 de abril de 2026 às 13:53
Bandeiras da União Europeia hasteadas em frente ao edifício Berlaymont, em Bruxelas Foto: DR
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A Comissão Europeia pediu esta quarta-feira esclarecimentos urgentes ao Governo húngaro sobre o alegado envio à Rússia de documentos internos da UE, considerando que as notícias que apontam nesse sentido são "extremamente preocupantes".

O jornal digital VSquare divulgou esta quarta-feira uma alegada conversa telefónica entre o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, e o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, à margem de uma reunião dos líderes da UE em dezembro de 2023, na qual Szijjártó se manifesta disponível para transmitir a Lavrov documentos internos sobre o processo de adesão da Ucrânia à UE.

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Na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a porta-voz Paula Pinho considerou que este novo artigo levanta a possibilidade de "o Governo de um Estado-membro estar a coordenar-se com a Rússia e a atuar ativamente contra a segurança e os interesses da UE e de todos os seus cidadãos".

"Trata-se, portanto, de uma situação extremamente preocupante, sendo da responsabilidade do Governo do Estado-membro em causa prestar esclarecimentos com urgência. A presidente [da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen] também vai levantar esta questão ao nível dos líderes", salientou.

Em março, o jornal norte-americano The Washington Post já tinha noticiado que Péter Szijjártó terá informado, durante vários anos, Sergei Lavrov sobre as reuniões do Conselho da UE em que participava.

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De acordo com a notícia do The Washington Post, Péter Szijjártó utilizava as pausas das reuniões do Conselho de Negócios Estrangeiros, que reúne todos os chefes das diplomacias da UE, para ligar a Lavrov e informá-lo do teor das discussões, propondo soluções para Moscovo lidar com as decisões que estavam a ser tomadas.

"Durante anos, cada uma das reuniões da UE teve Moscovo atrás da mesa", resumia um responsável europeu citado no artigo do jornal norte-americano.

Na altura, em reação a esta notícia, a Comissão Europeia já tinha pedido ao Governo húngaro para esclarecer se transmitiu informações confidenciais de reuniões na UE à Rússia.

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"A relação de confiança entre os Estados-membros e as instituições é fundamental para o trabalho da UE e esperamos que o Governo húngaro nos dê esclarecimentos", tinha afirmado na altura a porta-voz da Comissão Europeia Anitta Hipper.

A Hungria realiza no domingo eleições legislativas, com as sondagens a colocarem o líder da oposição, Péter Magyar (Tisza, centro-direita), em primeiro lugar, após quase 16 anos de Viktor Orbán na liderança do país.

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