Bruxelas vê "com interesse" eventual pedido de adesão da Arménia à UE
"Estamos, portanto, a analisá-lo com interesse", declarou a porta-voz da Comissão Europeia.
A Comissão Europeia disse esta terça-feira encarar "com interesse" um eventual pedido de adesão da Arménia à UE, depois de o primeiro-ministro arménio ter avançado que pode enviar em breve um pedido oficial a Bruxelas.
De acordo com Paula Pinho, porta-voz do executivo comunitário, o interesse manifestado, ainda que não oficialmente, por Erevan em aderir ao bloco constitui "uma nova manifestação da atração que a UE exerce sobre os cidadãos".
"Estamos, portanto, a analisá-lo com interesse", declarou a porta-voz da Comissão Europeia.
Um outro porta-voz do executivo liderado por Ursula von der Leyen lembrou que o processo de adesão ao bloco comunitário, para o qual é necessária "uma candidatura formal", está "bem definido e é baseado no mérito", mas apontou que a Arménia já está muito próxima da UE, face ao trabalho que tem sido desenvolvido.
"Já estamos a trabalhar para aproximar a Arménia da UE através, por exemplo, da conectividade, do comércio e de muitas outras iniciativas que levamos a cabo com eles. A Arménia está mais próxima da UE do que nunca", afirmou Markus Lammert aos jornalistas em Bruxelas.
O primeiro-ministro da Arménia anunciou na segunda-feira os planos do país para acelerar uma eventual adesão à UE, diversificando as relações do país e cimentando o afastamento da esfera de influência da Rússia.
"Trata-se de um processo que exige muito trabalho e que provavelmente iremos iniciar num futuro próximo, especialmente em resposta aos pedidos insistentes dos nossos parceiros na União Económica Euro-Asiática" (UEE), afirmou Nikol Pashinyan durante uma intervenção no Parlamento.
O líder arménio explicou que o país deve, em primeiro lugar, solicitar oficialmente a adesão à comunidade europeia para conhecer a resposta de Bruxelas e definir as datas das reformas necessárias.
O processo requer também a organização, na Arménia, de um referendo sobre a adesão à UE, recordou.
Em março de 2025, o parlamento arménio aprovou a lei que dá início ao processo de adesão da Arménia à UE e que marcou o início do processo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, referiu-se esta terça-feira aos planos da Arménia durante a conferência de imprensa telefónica diária e salientou que Erevan "devia recordar a experiência da Turquia e de toda uma série de países que há décadas aguardam a adesão à UE, mas a situação permanece inalterada".
"Após apresentar o pedido, a Arménia terá de alterar a legislação em vários domínios, comércio, saúde, alfândegas, etc, para que esta se harmonize com as normas europeias. Estas são incompatíveis com as adotadas no nosso país e com as adotadas na União Económica Euro-Asiática", salientou.
Segundo o porta-voz do Kremlin, isto irá gerar "profundas contradições que vão prejudicar principalmente a própria Arménia".
Pashinyan afirmou repetidamente que a sua política visa diversificar as relações da Arménia para comercializar tanto com a Rússia, atualmente o principal parceiro comercial do país, como com outros Estados.
Ao mesmo tempo, desde a imposição de restrições aos produtos arménios, Erevan aumentou significativamente as exportações para países da UE.
Na mesma linha, quanto à permanência da Arménia na Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar da Eurásia fundada em 2002 e liderada pela Rússia, afirmou que ficaria "muito contente" se o país fosse expulso como membro, após o congelamento das relações.
Erevan congelou as relações com a OTSC em 2024, por considerar que esta não reagiu com firmeza aos ataques do Azerbaijão durante a crise de Nagorno-Karabakh, quando cerca de 100.000 pessoas de etnia arménia tiveram de fugir da região separatista na sequência de uma ofensiva militar relâmpago de Baku para assumir o controlo da zona.
Pashinyan foi reinvestido primeiro-ministro no início do mês, depois de ter vencido as eleições de junho com 49,7% dos votos.
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